Presos roubavam com ajuda de policiais
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quarta-feira, 03 de dezembro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Kraw PenasOusadiaA quadrilha, uma das mais sofisticadas que já atuaram no Paraná, usava o dinheiro para comprar terrenos, casas e armasA quadrilha especializada em assaltos a bancos presa em Curitiba pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) recebia ajuda de agentes penitenciários para praticar roubos. Dois integrantes da quadrilha - Ailton Modesto da Silva e Paulo Fernandes de Menezes - estavam presos na Colônia Penal Agrícola, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) e subornavam os funcionários para sair da prisão durante o dia, assaltar bancos, e voltar para as celas somente à noite. Um dos agentes, conhecido como Neves, recebia cerca de R$ 3 mil cada vez que liberava os presos.
Até o momento, a polícia já descobriu o envolvimento do grupo em seis assaltos a agências bancárias e duas empresas em Curitiba, ocorridos no primeiro semestre. Além de Modesto e Menezes, que haviam fugido da Colônia Penal Agrícola, os ex-presidiários Ezio Luiz Bozi e Sandro Marcelo Sumizando, e o motorista Eleomar Luz Graça também participavam da quadrilha. Juntamente com as armas e fuzis utilizados nos assaltos, a polícia apreendeu máscaras, coletes à prova de balas, um carro importado e uma moto que eram usados pelos assaltantes.
Segundo o delegado do Grupo de Diligências Especiais do Cope, Luiz Artigas Júnior, dois assaltos a agências do Itaú e Banestado foram realizados durante o período em que Ailton Modesto e Paulo Menezes ainda estavam presos. Em outubro, eles fugiram da cadeia e passaram a fazer os assaltos com maior frequência juntamente com os outros integrantes da quadrilha. Um deles, conhecido apenas como Pedro e que seria o responsável pelo planejamento dos assaltos, ainda não foi localizado pela polícia.
Ao todo, os roubos feitos pela quadrilha ultrapassam R$ 300 mil, incluindo algumas barras de ouro levadas da agência João Negrão do Banestado, em Curitiba. Com o dinheiro, o grupo adquiriu terrenos, casas e armamentos em Curitiba, Londrina, Umuarama e Apucarana. Segundo o delegado Artigas, esta é uma das quadrilhas mais sofisticadas de assalto a banco que já atuaram no Paraná. Esta semana os assaltantes planejavam roubar um carro-forte que estaria transportando aproximadamente R$ 1,5 milhão, nas proximidades da Cidade Industrial. Pelo plano, eles fariam uma emboscada ao caminhão, atirariam nos vidros e pneus e ateariam fogo para forçar a fuga dos seguranças.
A investigação da polícia começou a partir da informação de que os assaltos vinham sendo praticados por pessoas especializadas em roubo a bancos. Depois da fuga de Menezes e Modesto da Colônia Penal, policiais do Cope passaram a investigar a participação dos dois foragidos nos assaltos praticados em Curitiba. Como várias vítimas reconheceram as fotos dos assaltantes, a presença dos ex-detentos ficou comprovada. Segundo o diretor geral da Polícia Civil, Arthur Braga, a polícia investigará a denúncia de comprometimento dos agentes penitenciários.


