Presos restauram livros em Maringá
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de junho de 2011
Agência Estadual de Notícias 
Mais de 15 mil livros já foram restaurados por presos da Penitenciária Estadual de Maringá, por meio de uma parceria com a Universidade Estadual (UEM). A oficina de recuperação de livros, que funciona na própria penitenciária, completa em julho 10 anos de atividades ininterruptas. Nela são restaurados entre 1500 e 2000 livros por ano, por uma equipe de 20 presos que trabalham de segunda a sexta-feira, oito horas por dia. Os presos que estudam são autorizados a exercer a atividade por meio período.
As obras recuperadas fazem parte do acervo da própria universidade e são principalmente livros da bibliografia básica, que sofrem desgastes pelo excesso de uso e pelo mau uso. "As pessoas não tomam o devido cuidado quando usam esses materiais. E aí cabe à universidade o trabalho de recuperá-los", afirma a bibliotecária da UEM Ana Maria Marquezini Alvarenga, que iniciou o projeto em julho de 2001. Ela conta que de lá para cá o número de alunos e cursos aumentou. "Não teríamos condições de recuperar e recolocar esse acervo à disposição do público se não fosse com o apoio desses detentos", afirma.
Para participar do projeto, o preso precisa manifestar interesse e passar por uma avaliação feita pelo corpo técnico do sistema penal, formado por psicólogos e outros profissionais.
Uma vez aprovado por essa equipe técnica, o preso começa a fazer o curso de restauração de livros, ministrado por técnicos da UEM. Em seguida inicia o trabalho, monitorado internamente por um detento, escolhido como "mestre de materiais". Profissionais da UEM coordenam, orientam e avaliam o trabalho. "Quando vem um livro com falhas, a gente retorna com a obra para uma conversa com o responsável, como parte do processo de avaliação e formação profissional", explica Iza Maria Cavalcanti Brito, bibliotecária responsável pelo projeto na UEM.
BENEFÍCIOS Os benefícios da atividade podem ser percebidos nos campos da promoção humana e da ressocialização do preso. O aumento da autoestima e o interesse pelos estudos são consequências diretas.
"O primeiro retorno que temos é no comportamento do preso internamente. Procuramos estimulá-los a trabalhar, no sentido de ocupar o seu tempo e também de instruí-los em um ofício, mas também propor o encaminhamento dele para a escola. E num segundo momento, podemos ver que ele consegue ter uma inserção melhor devido a esses outros fatores envolvidos no processo" avalia o diretor da penitenciária, Luciano Marcelo Simões de Brito.


