Mais de 15 mil livros já foram restaurados por presos da Penitenciária Estadual de Maringá, por meio de uma parceria com a Universidade Estadual (UEM). A oficina de recuperação de livros, que funciona na própria penitenciária, completa em julho 10 anos de atividades ininterruptas. Nela são restaurados entre 1500 e 2000 livros por ano, por uma equipe de 20 presos que trabalham de segunda a sexta-feira, oito horas por dia. Os presos que estudam são autorizados a exercer a atividade por meio período.

As obras recuperadas fazem parte do acervo da própria universidade e são principalmente livros da bibliografia básica, que sofrem desgastes pelo excesso de uso e pelo mau uso. "As pessoas não tomam o devido cuidado quando usam esses materiais. E aí cabe à universidade o trabalho de recuperá-los", afirma a bibliotecária da UEM Ana Maria Marquezini Alvarenga, que iniciou o projeto em julho de 2001. Ela conta que de lá para cá o número de alunos e cursos aumentou. "Não teríamos condições de recuperar e recolocar esse acervo à disposição do público se não fosse com o apoio desses detentos", afirma.

Para participar do projeto, o preso precisa manifestar interesse e passar por uma avaliação feita pelo corpo técnico do sistema penal, formado por psicólogos e outros profissionais.

Uma vez aprovado por essa equipe técnica, o preso começa a fazer o curso de restauração de livros, ministrado por técnicos da UEM. Em seguida inicia o trabalho, monitorado internamente por um detento, escolhido como "mestre de materiais". Profissionais da UEM coordenam, orientam e avaliam o trabalho. "Quando vem um livro com falhas, a gente retorna com a obra para uma conversa com o responsável, como parte do processo de avaliação e formação profissional", explica Iza Maria Cavalcanti Brito, bibliotecária responsável pelo projeto na UEM.

BENEFÍCIOS – Os benefícios da atividade podem ser percebidos nos campos da promoção humana e da ressocialização do preso. O aumento da autoestima e o interesse pelos estudos são consequências diretas.

"O primeiro retorno que temos é no comportamento do preso internamente. Procuramos estimulá-los a trabalhar, no sentido de ocupar o seu tempo e também de instruí-los em um ofício, mas também propor o encaminhamento dele para a escola. E num segundo momento, podemos ver que ele consegue ter uma inserção melhor devido a esses outros fatores envolvidos no processo" avalia o diretor da penitenciária, Luciano Marcelo Simões de Brito.

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