A fuga de 16 presos do Centro Operacional de Triagem (COT) da Polícia Civil, por volta das 23h30 de quinta-feira, causou estranheza entre policiais e pessoas que tinham conhecimento do sistema de carceragem. Esta foi a primeira fuga do local desde 5 de janeiro do ano passado, quando o COT voltou a funcionar nas instalações da polícia na Travessa da Lapa, no Centro de Curitiba.
O local estava para completar dois anos sem nenhuma fuga desde que foi implantado o sistema de alarme e monitoramento, disse o superintendente do COT, Alcy Rocha Junior. Desde fevereiro deste ano, segundo ele, pelo menos cinco tentativas acabaram frustradas em função desse sistema.
Dos 16 fugitivos, quatro foram recapturados na madrugada de sexta-feira por policiais militares e civis, acionados por um carcereiro de plantão à meia-noite. Até ontem à tarde, 12 ainda continuavam foragidos, entre eles dois acusados de homicídio.
Segundo Rocha, a fuga ocorreu quando um policial de plantão ia remover o preso Fernando Cesar Cascardo, acusado de estupro, que estava sendo ameaçado de morte pelos presos de sua cela. Ao abrir a porta, o policial foi rendido por presos de outra ala, que já haviam estourado o cadeado da porta da cela onde estavam. Dos 35 detentos que ficaram soltos com a abertura das celas, 16 fugiram e 19 permaneceram na cadeia, entre eles o preso Cascardo.
Normalmente, os plantões noturnos são feitos por três policiais. Na noite da fuga, um dos plantonistas não compareceu ao trabalho por motivo de saúde. Outro policial tinha saído para fazer um lanche. O COT tem capacidade para abrigar no máximo 80 presos, mas estava com 160 detentos na noite da fuga.
Historicamente, o Centro Operacional de Triagem sempre funcionou nas dependências da Polícia Civil da Travessa da Lapa, no centro de Curitiba. Em julho de 1999, no entanto, o delegado-geral da Polícia Civil, Newton Rocha, decidiu fazer algumas reformas na corporação. Entre as mudanças, o COT foi transferido para o prédio onde funcionava anteriormente a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, no bairro Vila Izabel, mas a reação contrária dos moradores provocou a transferência para a antiga sede, cinco meses depois.

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