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Bela Vista do Paraíso Usando as técnicas que domina bem, o pedreiro Otávio Alves dos Santos, 46 anos, triplicou o tamanho do muro que cerca o pátio da Delegacia de Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina). Seria apenas um trabalho comum, não fosse Santos um dos 21 presos encerrados por trás das grades e muros, agora ainda mais intransponíveis, da cadeia local.
A reforma externa é só uma parte do trabalho iniciado há alguns meses, com o intuito de melhorar as condições da delegacia para detentos e funcionários, sem depender de verbas estaduais. Com mão-de-obra dos próprios presos, todas as salas foram limpas, algumas paredes receberam pintura nova, banheiros e cozinhas foram reformados e as celas passaram a ter camas de cimento até então, os detentos não tinham onde dormir. ''Encontrei esse lugar bastante bagunçado, sujo. Hoje, a cozinha dos presos está tão limpa que até nós (os funcionários) comemos a comida que eles fazem'', conta o delegado Aparecido Antônio Gregório, que assumiu a regional de Bela Vista do Paraíso há três meses.
A economia nas reformas também foi possibilitada pelo auxílio da comunidade. Todo o material de construção foi doado por comerciantes do ramo ou custeado por voluntários. Segundo Gregório, a adesão da comunidade ao ''mutirão'' de obras foi total. ''Todos que foram contatados por nós para auxiliar na reforma aceitaram. Essa parceria foi fundamental'', assinala.
O delegado não soube precisar o custo das obras. Já o detento Otávio dos Santos estimou baseado em sua larga experiência como pedreiro, antes de ser preso pelo assassinato da esposa, há um ano que as reformas custariam R$ 10 mil ao Estado. ''Se eu fosse cobrar pelo serviço, pediria uns R$ 4 mil'', calculou.
O trabalho de Santos, no entanto, não foi remunerado nem serviu para remissão da pena. O juiz da comarca de Bela Vista do Paraíso, Helder José Anunziato, explicou que o pedreiro já conquistou o benefício da pena em regime semi-aberto e aguarda uma vaga na Colônia Penal Agrícola, em Curitiba. ''Preferia ficar aqui, trabalhando e perto da família, do que ir para a Colônia'', comentou o detento. Os outros presos, a maioria provisórios, só trabalham em serviços internos, como limpeza e preparo de refeições.
Na cozinha da delegacia, o detento Edson Carlos, 27 anos, preparava ontem o almoço dos colegas presos e dos funcionários. ''Teremos arroz, feijão, batata com carne moída, frango ao molho e salada. Agora dá para fazer tudo com muita higiene. Antes da reforma, teria que fazer milagre pra cozinhar aqui'', afirmou. As melhorias na cozinha incluíram a aquisição de um fogão e uma geladeira. Os eletrodomésticos também foram doados pela comunidade.
Para o detento José Maria de Oliveira, 31 anos, a pintura das celas e corredores da carceragem foi um dos melhores resultados da reforma. ''As paredes estavam queimadas por causa de um curto-circuito. Era um ambiente bem ruim para se ficar. Agora a gente cuida melhor, não tem mais bagunça não'', conclui.

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