Cambé - Um termo de cooperação entre a Polícia Civil e a Secretaria Municipal de Saúde permite que os presos da Delegacia de Cambé (13 km a Oeste de Londrina) recebam atendimento médico ambulatorial sem precisar sair da cadeia para ir a hospitais. A cada 15 dias, uma equipe do Programa Saúde da Família visita a carceragem para oferecer consultas aos detentos. O sistema vai passar por uma avaliação de três meses.
A iniciativa só foi possível porque uma reforma feita na delegacia permitiu a construção de um ambulatório. A equipe formada por um médico, enfermeiros e auxiliares do Programa de Saúde da Família é acompanhada por dois investigadores durante a consulta.
A construção da sala, de acordo com o delegado Valdir Abrahão, é o resultado de um processo de otimização dos espaços. Também foram destinadas celas separadas para as mulheres, adolescentes e presos civis. Para ele, a abertura do ambulatório traz duas vantagens principais: reduz o risco de fuga e de resgate durante o transporte de presos para hospitais e evita o desvio de função dos policiais responsáveis por esse serviço.
Abrahão lembrou que assistência médica, jurídica e religiosa é direito dos presos. E que o atendimento é feito em todos os casos. A única mudança é que o deslocamento não é mais necessário. Já as situações de emergência são encaminhadas diretamente para os hospitais da cidade.
O procurador jurídico do município, Arnaldo de Oliveira Júnior, salientou que este tipo de atendimento não representa prejuízo para o restante da população. ''A saúde dos presos também é uma responsabilidade da administração municipal'', adverte.
Cumprindo pena por tráfico de drogas, Valdir Ricardo Braga Schwantz, 48 anos, disse que a iniciativa de montar o ambulatório é boa, mas ainda ocorrem problemas. ''Às vezes, o atendimento nas emergências demora muito'', afirma.
As adequações da Delegacia de Cambé não limitam-se ao ambulatório. As reformas também melhoraram as condições de segurança da carceragem. A sala do plantão está mais próxima da entrada das celas. O pátio de sol também recebeu um reforço importante. Restos de trilhos de trem doados por uma empresa particular foram colocados sobre o local.
Dessa forma, a grade de proteção não fica mais ao alcance dos detentos e impede que brocas e celulares sejam arremessadas por pessoas do lado de fora. ''Quando a gente soltava os presos para o pátio de sol era preciso ficar com um policial vigiando o tempo todo. Agora, isso não é mais necessário'', comenta Valdir Abrahão.
O resultado, segundo ele, é que a Delegacia de Cambé não registrou fugas ''pelos modos convencionais'' nos últimos três anos. A única ocorrência foi de um detento que conseguiu escapar disfarçado de mulher. A carceragem tem capacidade para 50 detentos, mas abriga o dobro de presos.

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