Presos rebelados serão transferidos hoje
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domingo, 10 de junho de 2001
Vânia CasadoDe Curitiba 
As mulheres dos presos que estão na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) amanhecem hoje na porta do presídio para acompanhar o desfecho da rebelião, previsto para esta manhã. Elas querem vigiar os passos da Polícia Militar para que os policiais não invadam a PCE de forma violenta. O major da PM, Nemésio Xavier, informou que as transferências dos presos rebelados serão iniciadas nesta manhã.
Em reunião realizada ontem à noite entre o secretário da Segurança Pública, José Tavares, e o comando da PM ficou decidido que hoje pela manhã seriam disponibilizados os veículos necessários e todo o aparato de escolta para transferência dos presos. O secretário garantiu, por meio de sua assessoria, que vai cumprir o acordo firmado com os rebelados de não permitir invasão da PM.
Dos 23 rebelados que pediram transferência, 13 estão indo para São Paulo, quatro para o Mato Grosso do Sul, quatro para Santa Catarina, um para o Pará e um para o Amazonas. O presos transferidos para São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul serão transferidos por terra, em veículos da Polícia Militar do Paraná. E os presos que vão para o Amazonas e Pará, irão por avião do governo do Estado do Paraná.
A Polícia Militar reforçou o policiamento nas imediações da PCE para evitar uma fuga dos rebelados. O major Nemésio Xavier confirmou que os presos cavaram túneis na penitenciária. Segundo um coronel que não quis se identificar, a PM vai trabalhar com o fator surpresa para frustrar qualquer tentativa de fuga.
Os familiares dos detentos (mulheres, namoradas, mães e irmãs) estavam conformadas com a suspensão das visitas, ontem. Até as visitas na Penitenciária Feminina foram suspensas. Mas pedem ao secretário José Tavares que abra uma exceção para visitas na quinta-feira que é feriado de Corpus Cristi. Elas não saíram das imediações da PCE, porque se sentiam mais seguras ficando por perto. As mulheres começaram a chegar na tarde do sábado, como fazem toda a semana, para conseguirem entrar no domingo logo cedo nas dependências do presídio.
Mesmo sabendo que ontem não ia haver visitas, elas foram preparadas para ficarem um período maior. Levaram plásticos, colchonetes, travesseiros e cobertores para passarem à noite. As mulheres também não quiseram se identificar, por temerem represálias com os companheiros na prisão. Outras, temiam pelo emprego. Meu patrão nem sonha que tenho marido preso. Se ele sabe, me manda embora na hora, disse uma delas.
Elas querem se certificar que os líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital) vão mesmo embora. A rebelião não é dos 1,5 mil presos que estão aí dentro, é apenas deles, disse uma delas referindo-se aos membros do PCC. Elas temem que após a rebelião a PM entre no presídio quebrando tudo e batendo nos presos.
A rebelião deve durar até que os rebelados do PCC cheguem aos seus destinos. Até lá os reféns vão permanecer sob a guarda dos presos que ficarem, para garantia que a remoção tenha sucesso.


