PONTA GROSSA - Os 130 detentos do Minipresídio Hidelbrando Souza, em Ponta Grossa, iniciaram na noite de anteontem uma rebelião que terminou com a queima de colchões, cobertores e a destruição parcial de uma das celas. Os presos quebraram ainda móveis e danificaram a instalação elétrica do presídio. O fato de um dos detentos ter revelado uma tentativa de fuga no último final de semana deflagrou a revolta.
A rebelião teve início por volta das 20 horas, quando os detentos invadiram a cela do delator, conhecido como ‘‘Petiço’’, e começaram a queimar tudo. Os presos também aproveitaram a confusão para protestar contra a superlotação e a situação precária da alimentação. Com capacidade para comportar 80 presos, o presídio aloja 130 detentos.
Os presidiários se acalmaram com a chegada do juiz corregedor do presídio, Luiz Setembrino, que prometeu analisar todas as reivindicações dos detentos. O juiz solicitou ao presidiários um documento com as exigências e pediu que relatassem as dificuldades no local. Às 22h30 a situação já estava sob controle e os presos retornaram para as celas.
A tentativa de fuga realmente existiu. De acordo com o delegado chefe da 13º Subdivisão Policial, Emílio Wzorek, os presos já haviam feito um buraco na parede que divide duas celas no presídio. Uma das celas estava com os ferros da janela parcialmente cerrados. O presidário delator, tido como de confiança, não deve ser transferido. Ele continua no presídio, mas em cela separada.
Com relação a superlotação, o delegado Emílio explicou que a única solução será a construção do Presídio Industrial em Ponta Grossa, obra já garantida pelo governo, que deve ser executada em 97. O minipresídio passaria a abrigar presos que aguardam julgamento. Depois de condenados, esses presos seriam encaminhados para uma penitenciária estadual. Segundo Wzorek, mais de 50% dos detentos em Ponta Grossa já foram condenados.
O Estado repassa ao presídio de Ponta Grossa R$ 0,80 por dia para a manutenção de cada preso. Como o valor é insuficiente, os presidiários contam com o apoio do Conselho da Comunidade que auxilia na manutenção e alimentação dos presos.

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