Presos provisórios terão nova rotina na PEL
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quarta-feira, 02 de maio de 2007
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
A transferência de presos provisórios para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) não deverá ser um alívio apenas para os distritos policiais (DPs), mas também para os próprios detentos. À exceção de quem planejava fugir, a vida desses homens deve mudar para melhor.
A primeira grande diferença sentida pelos encarcerados está no espaço. Antes apinhados em celas e corredores dos DPs, em geral projetados para receber menos de um quarto do total de pessoas que abrigavam, os presos provisórios removidos para a PEL terão cerca de 2,5 metros quadrados cada. Serão até 7 presos por cela.
É o suficiente para evitar, por exemplo, que homens tenham que dormir em redes penduradas no alto, o que chegou a provocar acidentes em distritos. Também deve diminuir a ocorrência de males que se proliferavam com a aglomeração e a falta de higiene, como doenças respiratórias e de pele.
Outra novidade em relação aos DPs é a oferta de uma série de serviços dentro da própria instituição, como assistência médica, odontológica, psicológica e jurídica. O diretor da PEL, Hiroshi Kitanishi, garantiu a continuidade desses serviços. ''Os presos provisórios terão aqui uma vida muito mais digna'', afirmou.
Os detentos também terão oportunidade de trabalhar e estudar, mas haverá uma redução desse tipo de atendimento em relação ao que a PEL oferecia aos condenados. Segundo Kitanishi, empresas que demandavam mão-de-obra mais especializada deverão deixar a instituição, porque o tempo disponível para formação dos detentos será menor. ''Serviços mais fáceis, como confecção de bolas, poderão continuar. Mas o preso só vai trabalhar se quiser'', ponderou.
Além de ser uma distração, o trabalho garante remissão de pena (um dia para cada três trabalhados), que pode ser acumulada para quando sair a condenação do preso. Outra forma de conseguir o benefício, inédita para quem só conhecia a realidade dos DPs, é estudando. De acordo com o diretor da PEL, a unidade de ensino que era mantida na instituição será transferida para o Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), mas os professores irão se deslocar periodicamente à PEL para dar disciplinas.
''Vamos nos concentrar no 1º grau, o que deve ser suficiente já que normalmente os presos que entram são analfabetos, semi-alfabetizados ou não concluíram o Fundamental'', afirmou. Cada 18 horas de estudo reduz um dia na pena.
Segurança e disciplina também serão bem mais rígidas, observou Kitanishi. Será permitido apenas um televisor por cela e nada de rádios; as roupas dos presos terão que ser claras, para se distinguir dos uniformes dos agentes; a entrada de objetos será mais limitada. ''A segurança também é muito maior, pela nossa estrutura física e porque os agentes são especializados.''
De acordo com o diretor, desde a última segunda-feira a PEL está recebendo de 30 a 40 presos provisórios por dia. O mesmo número de presos condenados deverá sair diariamente da instituição para o CDR nos próximos dias. A Casa de Custódia de Londrina (CCL) também está absorvendo presos dos distritos policiais. Segundo o diretor da CCL, major Edson Tomás, eles estão ocupando o lugar de parte dos 85 condenados que eram mantidos no presídio, por falta de vagas na PEL.


