Presos por tráfico são levados para PEL
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Paulo Ubiratan 
Os seis homens acusados de pertencerem ao Cartel de Cáli, na Colômbia, presos esta semana em Londrina, foram transferidos ontem à tarde para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). A transferência ocorreu a pedido da Polícia Federal, que alegava medida de segurança. O pecuarista José Antônio Daher (Zezo), o empresário David Rodrigues Alfredo, o piloto Cesar Rafael Ribeiro Quintana e os colombianos Gustavo Adolfo Rodrigues Ni¤o, Pedro Gaston Roberto Gomes e Carlos Mário Orosco, foram presos na última segunda-feira após a apreensão de 300 quilos de cocaína na mansão de Daher, localizada nas margens do Lago Igapó, no Jardim Bela Suíça (zona sul).
Mario CesarO empresário David Rodrigues Alfredo, dono da empresa de exportaçãoPor determinação dos advogados, os seis presos saíram da cela para o camburão da polícia encapuzados para não serem fotografados ou filmados.
A droga apreendida na segunda-feira iria para Espanha (210 quilos) e o restante para Brasília. A cocaína vinha de Cáli, na Colômbia, em um avião que desceu na pista de pouso da fazenda Santa Maria, de propriedade de Daher, em Ortigueira (80 quilômetros de Londrina).
A autorização da transferência dos presos foi do juiz corregedor e da Vara de Execuções Penais Roberto Ferreira do Valle, a pedido do juiz da 2ª Vara Federal de Londrina, Marcos Hideo Hamasaki. Recebemos informações da Colômbia de que o crime organizado de Cáli está se mobilizando para tentar libertar os presos aqui em Londrina. Nosso efetivo é pequeno e teríamos de paralisar as investigações do caso, para aumentar o pessoal de plantão na segurança das celas na Polícia Federal. Isto iria prejudicar a continuação de nosso trabalho, afirmou o delegado José Roberto Morel, superintendente da PF em Londrina. Segundo o delegado, a informação do possível resgate dos presos foi passada pela polícia da Colômbia e a ação de resgate estaria sendo montada por brasileiros.
Mario CesarUm dos chilenos envolvidos na operação: droga para o exteriorOutra preocupação do delegado Morel é a ligação de Daher com um dos chefes da máfia boliviana, Dom Hugo Chaves Lopez, que morou em Londrina a convite do traficante Gilbero Yanes, morto em acidente de avião em 1985. Dom Hugo foi ministro do ex-presidente da Bolívia (1980), general Luiz Garcia Meza, destituído do poder por tráfico de drogas. Atualmente, Don Hugo reside em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Daher tinha grande amizade com Don Hugo em Londrina e por diversas vezes o visitou em Santa Cruz de La Sierra. Morel não descartou que a máfia boliviana esteja também atrás do plano de resgatar os presos.
O último resgate de presos em Londrina ocorreu em dezembro de 1996, no 2º Distrito Policial. Três homens fortemente armados renderam o carcereiro e libertaram Sheila e Jean Gilberto, respectivamente mulher e filho do traficante Benedito Carlos Clausen, conhecido por Dito Quati, ex-prefeito de Platina (SP). Ele havia sido preso em Londrina pela PF quando refinava 180 quilos de cocaína na sua fazenda, localizada no distrito rural de Lerroville.
Segundo informações passadas pela PF, Dito Quati era financiado pela máfia boliviana, que tinha intenção de montar um centro de refino no Brasil.
Sheila e Jean Gilberto foram depois presos na periferia de Curitiba. No entanto até hoje não foi explicado como realmente ocorreu a invasão do 2º DP, somente possível se, do seu interior, alguém abriu a porta da frente. Um informante teria passado para a polícia que o mentor da fuga e dos telefonemas seria Daher, que a pedido de Dom Hugo, trouxe Dito Quati para refinar droga no Paraná.


