Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Oito jovens de Medianeira (65 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu) reconheceram ontem o auxiliar de serviços gerais Márcio Cristiano Rosso, 25 anos, como o estuprador que agia encapuzado, atacando casais de namorados em ruas escuras da cidade.
Rosso, acusado de pelo menos 14 estupros, foi preso na madrugada de ontem, durante uma operação conjunta das polícias Civil e Militar. O desempregado Rodrigo Flausino da Silva, 18 anos, que agiu com Rosso em dois estupros, também foi preso em seguida. Os dois não reagiram à prisão, mas negam a autoria dos crimes.
Eles foram flagrados quando estavam próximo ao aeroporto da cidade, região preferida de Rosso para atacar suas vítimas, que eram principalmente jovens de classe média de Medianeira. A Polícia Civil aguarda outras seis vítimas, que deverão comparecer até o final desta semana na delegacia para reconhecer o criminoso.
Ontem, as oito jovens reconheceram roupas, o capuz e o rosto de Rosso (durante a consumação do estupro ele tirava o capuz). Ele está preso na delegacia, que possui oito celas superlotadas, obrigando parte dos 80 presos a recorrer ao corredor por falta de espaço.
A prisão de Rosso tranquilizou a cidade. Ele vinha sendo procurado há um ano. ‘‘O número de mulheres estupradas é muito maior que 14. As primeiras ficaram constrangidas em dar queixa’’, acredita o delegado Valter Diniz Paes, que está há dois meses em Medianeira.
Rosso abordava as vítimas quando elas estavam namorando dentro do carro. Ele simulava um assalto e pedia ao rapaz que fosse buscar R$ 500,00 em troca da vida da namorada, ameaçada com um revólver calibre 38. Ele instruía os rapazes a retornar uma hora depois, caso contrário ele executaria a garota.
Segundo depoimento das vítimas, durante a ausência dos namorados, Rosso as estuprava várias vezes, geralmente no matagal mais próximo, levava suas roupas e desaparecia.
‘‘Além da violência bárbara, estas mulheres tinham que buscar ajuda completamente nuas, um constrangimento terrível’’, afirmou o delegado. Com esta justificativa, os namorados e as famílias pediram que as investigações para a captura do estuprador fossem feitas de forma sigilosa. ‘‘Decidimos atender este pedido. Sem o sigilo não teríamos apanhado este bandido’’, disse Diniz Paes.
Se for condenado, Rosso, que já tinha passagens na polícia por furto e consumo de drogas, deve cumprir pena de seis a dez anos. Silva é réu primário e se diz vítima ‘‘de uma armação’’ de seu comparsa.

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