Presos por engano vão acionar Estado
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terça-feira, 30 de dezembro de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O governo do Estado poderá responder judicialmente pela prisão irregular de três pessoas, que ficaram 11 dias em celas conjuntas no 10º Distrito Policial, em Curitiba, investigadas pela suposta prática de latrocínio. O borracheiro Anderson Moura Lopes, 28 anos, o catador de papel Marcelo dos Santos Godin, 23, e um adolescente de 16 anos foram detidos pela Polícia Militar (PM) no dia 16 de dezembro e liberados apenas no último sábado, depois da prisão de dois dos três verdadeiros latrocidas..
Segundo a polícia civil, os três foram reconhecidos uma testemunha como autores do assassinato do comerciante Ederson Maciel, dono de uma padaria no bairro do Sítio Cercado, periferia da cidade. ''Não havia materialidade. Apenas o reconhecimento por parte de uma testemunha que supostamente passava pelo local'', afirmou o escrivão Ney Prosdóscimo.
Desde o início, os três alegaram inocência. No entanto, apenas puderam comprovar a versão no dia 23 de dezembro, quando a PM prendeu um adolescente de 16 anos e José Reginaldo de Oliveira, num chevette amarelo, o mesmo usado no crime da panificadora. Oliveira foi identificado depois como Cleverson Daniel Siqueira, já condenado por assalto e foragido da Colônia Penal Agrícola.
Para Anderson Lopes, ''foram os piores dias da minha vida''. Ele está juntando material para processar a testemunha que fez a identificação e pretende ainda entrar com ação indenizatória contra o governo do Estado pela prisão ilegal.
O procurador geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, informou ontem que, se for acionado, o governo vai contestar a ação para saber as provas que levaram os três a serem presos. Caso seja comprovada irregularidade na prisão ou abuso de autoridade, os responsáveis serão denunciados no processo indenizatório, para que possam responder pelo crime praticado.


