Curitiba A Promotoria de Investigação Criminal (PIC), órgão vinculado ao Ministério Público (MP), prendeu ontem, em Curitiba, quatro policiais militares suspeitos de terem torturado um adolescente de 15 anos. Ele foi agredido em janeiro e teve cerca de 80% do corpo queimado.
O jovem permanece internado em estado grave no Hospital Evangélico. Os policiais foram encaminhados para o 12º Batalhão da Polícia Militar (PM). A PIC requereu e conseguiu a prisão deles junto ao juízo da Central de Inquéritos da Capital.
Segundo o MP, os policiais teriam detido o adolescente na tarde de 19 de janeiro, na região do Shopping Mueller, por envolvimento em um furto. O jovem foi algemado e encaminhado a um módulo da PM no Largo da Ordem. O menino teria sido levado a uma sala nos fundos do módulo, onde teria ocorrido a tortura.
O jovem contou à PIC que foi agredido verbalmente e fisicamente pelos cinco policiais, sendo golpeado inúmeras vezes com ''um porrete''. Ainda de acordo com o depoimento, um dos policiais teria jogado tinner no garoto, ateado fogo a um pedaço de papel higiênico e perguntado aos outros policiais se devia ou não colocar fogo no adolescente. Neste momento, as chamas teriam atingido as roupas e o corpo do menino.
O caso chegou ao conhecimento do MP por uma denúncia anônima. Os PMs devem ser denunciados criminalmente por tortura qualificada e lesão corporal de natureza grave, crimes passíveis de reclusão de quatro a dez anos. O MP também vai pedir a exoneração dos policiais. A denúncia criminal deve ser feita em dez dias.
Os policiais também respondem Inquérito Policial Militar (IPM) na corporação. Eles poderão ser excluídos. Desde o dia 20 de janeiro, eles já estavam afastados das suas funções, cumprindo apenas atividades internas e administrativas. Quando o caso vazou, cinco policiais militares estavam sendo investigados. O MP conseguiu a prisão de quatro deles.

mockup