Presos no elevador
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Com 80 anos de idade e há 15 morando no Edifício Tuparandi (região central), a pensionista Nair de Almeida nunca tinha ficado presa dentro de um elevador até a tarde do último domingo, quando ela experimentou a angustiante situação de ficar enclausurada em um pequeno espaço, na companhia de outras cinco pessoas.
Sem mais nem menos, o elevador parou. Foram aproximadamente duas horas - com os ponteiros do relógio andando devagar - até que homens do Corpo de Bombeiros retirassem, utilizando escadas e cordas, os ocupantes de dentro da cabine. Situação que dona Nair, do alto de suas oito décadas de experiência de vida, encarou com serenidade. O único problema, segundo ela, foi ficar em pé durante tanto tempo. As pernas, que abrigam próteses no lugar do fêmur, reclamaram. ''Doeu um pouquinho, mas tudo bem. Numa situação dessa tem que manter a calma, ter paciência. Porém, eu confesso que se estivesse sozinha teria me apavorado.''
No entanto, se dona Nair conseguiu manter a calma, para a sua filha, Vanda de Almeida, que estava do lado de fora, acompanhando tudo pelo circuito interno de TV, a situação foi apavorante. ''Foi terrível. Fiquei andando para cima e para baixo sem saber o que fazer'', recordou.
Para o advogado Saulo Montagnani, que também foi vítima da parada do elevador, a sensação é de estar em uma gaiola. ''Foi horrível quando abrimos a porta e demos de cara com um paredão'', relatou. Foi do advogado a idéia de acionar os bombeiros, que acabaram sendo fundamentais para o complicado resgate.
Devido ao edifício ter seus três primeiros andares ocupados por salas comerciais, os elevadores que atendem aos moradores dos 12 andares residenciais passam por meio de paredões onde fica a parte comercial. Justamente entre tais paredes o elevador travou, dificultando o socorro, pois não havia portas de emergência por perto, ao contrário do que recomendam todas as normas de segurança.
Os bombeiros, em conjunto com técnicos da empresa responsável pela máquina, tiveram que arrombar duas portas que ficavam acima do elevador, desmontar o teto do aparelho e resgatar os ''prisioneiros'' utilizando uma escada de madeira. No caso de dona Nair, foi preciso utilizar também uma corda. ''Os bombeiros foram fantásticos, na hora do acidente nem consegui agradecê-los, mas escreva aí que estou muito grato'', pediu o advogado Montagnani.
De acordo com os técnicos da empresa fabricante do elevador, aconteceu um defeito ocasional, que causou a parada do elevador, porém antes de providenciar o conserto, foi dado prioridade para o resgate das vítimas.
Segundo o capitão Luiz Alberto Bueno Cândido, do Corpo de Bombeiros, o primeiro procedimento de quem passa por semelhante situação deve ser acionar os técnicos da empresa fabricante do elevador. ''Cada máquina tem um estilo e uma chave específica para abri-la. Por isso, sempre precisamos trabalhar em conjunto com os técnicos'', orientou.
Consultado pela FOLHA, o professor do curso de Engenharia de Segurança no Trabalho da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Aron Petrucci, lembrou que existem diversas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a segurança dos elevadores. ''O edifício que não cumpre tais normas pode sofrer sanções, como perder o habite-se'', ressaltou o engenheiro.
A síndica do Edifício Tuparandi, Maria Elisa Guissoni, declarou que todas as vistorias do prédio estão em dia e que o elevador que apresentou o defeito acabara de passar por uma reforma completa e revisão que durou mais de trinta dias, informação confirmada pelo fabricante do elevador.


