Após duas semanas de trabalho e 14 depoimentos colhidos, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores de Campo Mourão, que apura denúncia de maus-tratos contra os presos da cadeia da cidade, ainda não conseguiu indícios de que detentos tenham sido torturados. ‘‘Os próprios presos negam que venham sendo maltratados’’, diz o presidente da comissão, Edevaldo Louzano (PSDB).
Os cinco membros da CEI estão indo toda quinta-feira à tarde na 16ª Subdivisão Policial para ouvir os presos. Nas duas primeiras visitas, foram ouvidos 14 presos. A CEI foi aberta através de proposta do vereador Júlio Vieira dos Santos (PDT). Ele tem um filho, Gesiel Ramos Santos, preso por roubo e alegou que recebeu a denúncia através de cartas e da reclamação de parentes de outros presos. O próprio Gesiel, no entanto, já prestou depoimento à CEI e desmentiu que tenha havido maus-tratos por parte dos policiais. A comissão tem 60 dias para concluir os trabalhos e pretende ouvir pelo menos mais 15 presos.
SorteioA princípio, a comissão pensou em ouvir os presos através de sorteio, mas acabou mudando de idéia. Depõe quem quiser. ‘‘Pelo sorteio, um preso que quisesse denunciar correria o risco de não ser sorteado’’, explica o presidente da CEI. Com o sistema de ‘‘depõe quem quer’’, a comissão já constatou que grande parte dos presos não quer falar.
Os depoimentos são realizados numa sala cedida pelo delegado-chefe da 16ª SDP, Roberval Butaccini, sem a presença de policiais. Além dos vereadores da comissão, a assessora jurídica da Câmara acompanha os trabalhos. A comissão ainda vai ouvir funcionários da delegacia e o próprio delegado-chefe. Também podem ser ouvidos parentes de presos.

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