Presos não querem transferência
Os quatro presos que ocupam hoje a cadeia de Fênix já estão condenados e deveriam estar cumprindo pena numa penitenciária. Nenhum deles, porém, quer deixar o local. Além da proximidade da família, eles admitem que a cadeia da cidade é melhor que as outras. ‘‘Não conheço outros presídios, mas a gente tem uma idéia pela televisão e pelos jornais’’, diz Júlio César Carmona, 41 anos, preso desde abril pelo assassinato da primeira mulher, em 1989.
Carmona foi condenado a seis anos e seis meses de prisão, mas será libertado após cumprir um sexto da pena. Deve ficar livre em maio, mas tem esperanças de sair antes porque está trabalhando na prisão. ‘‘As cadeias que a gente vê pela TV são um absurdo’’, disse. ‘‘Aqui estamos no céu.’’ Carmona é bastante conhecido em Fênix, onde é dono do único posto de combustível e de uma das principais farmácias.
O mecânico Carlos Roberto Mariano, 32 anos, também está preso por um homicídio ocorrido há 10 anos. Ele, porém, só foi preso há dois meses. Está condenado a nove anos de prisão. ‘‘Quero cumprir toda minha pena aqui’’, ressalta. ‘‘Não temos do que reclamar.’’ Celso da Silva, 27, é outro preso de Fênix já condenado por assassinato. Ela pegou 12 anos de cadeia. Está preso há três e viu a transformação da delegacia do município.
‘‘Ficou muito bonita’’, diz Silva. Depois do crime, ocorrido há quatro anos, ele fugiu para Rondônia, onde acabou preso e conheceu outras cadeias. ‘‘Nenhuma se compara com essa aqui’’, testemunha. O quarto preso de Fênix, Carlos Donizete Azzalini, 43 anos, está no local há um ano. Foi condenado há nove anos de prisão pelo estupro de uma sobrinha, de 12 anos. Ele já deveria ter sido transferido para a penitenciária de Maringá, mas até o delegado é contra.
‘‘Tem gente muito mais perigosa que precisa ir para lᒒ, explica Sontag. O delegado não teme eventuais fugas, apesar de saber que, se isso ocorrer, será responsabilizado. ‘‘Esses presos são pessoas que eu conheço, são conhecidos da comunidade, têm família aqui’’, conta. ‘‘Eles cometeram crimes, mas não são bandidos.’’ Sontag, no entanto, avisa: ‘‘Se alguém sair daqui e voltar a praticar algum crime, daí eu não quero. Que vá para a penitenciária.’’ (S.S.)

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