Oficiais de Justiça encontraram ontem no 5º Distrito Policial (5ºDP) 72 presos vivendo precariamente em seis celas onde deveriam estar no máximo 24 internos. Foi o início da averiguação determinada pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto Ferreira do Valle, nos distritos que têm carceragem provisória. As quatro unidades têm capacidade para abrigar 132 internos mas ontem a superlotação chegava a 346 detentos. Após o trabalho dos oficiais, Roberto do Valle pode pedir a interdição parcial ou total dos distritos.
Para dormir os presos estão fazendo um rodízio nos beliches. ‘‘Fica meia-noite cada um, depois levanta e dá lugar pro outro dormir’’, contou Antonio Marcos Nogueira, 20 anos. Como falta espaço até no chão das celas, uns são obrigados a se amarrar nas grades para dormir pendurados e outros apelam para o ‘Boi’ - dormir sentado na privada da cela.
Durante a visita os oficiais encontraram celas mal-ventiladas, sem higiene e úmidas, com roupas, tênis e garrafas d‘água penduradas pelas grades. Também houve muitas reclamações sobre a qualidade da comida e falta de remédio para os doentes. Alexandre Palmiro, 23, está preso por tráfico há um ano e aguarda o resultado do exame de dependência, porque alega ser viciado em maconha desde os 8 anos. Edson Rodrigues Alves, 26, preso por furto, afirma que está com tuberculose e há uma semana não toma medicamentos.
Durante a visita dos oficiais, o delegado do 5º DP, Jorge Barbosa, disse que a averiguação vai mostrar à sociedade e ao governo a real situação das cadeias e distritos. ‘‘Principalmente aqui ao lado de uma escola e uma igreja, onde a guarda externa é feita por dois cães e dois gansos’’, ironizou. Jorge Barbosa negou a falta de medicamentos e que a comida seja de má-qualidade. A Folha não encontrou o secretário de Segurança Pública, José Tavares, para falar sobre a situação dos distritos policiais de Londrina. A informação é de que ele estava em Brasília.
Ibiporã Um preso morreu na madrugada de ontem na Delegacia de Ibiporã (14 quilômetros a leste de Londrina), vítima de tuberculose. Ronaldo Felix de Sá, 36 anos, estava detido desde o dia 23 de fevereiro. Na época, a polícia foi procurada pela própria família de Sá, que estava desempregado. Ele tinha um mandado de prisão decretado em 1994 por tentativa de homicídio. (Colaborou Silvana Leão)

mockup