Presos jovens que mataram empresário
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quarta-feira, 05 de março de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoCredores em perigoMarcos Scherer (à esq.) e Roni Moura: dois assassinatos muito semelhantes e acusações mútuasÉ crescente o número de jovens sem antecedentes que cometem homicídios classificados como hediondos e de grande repercussão em Cascavel. A constatação foi feita ontem, pelo delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial, Osnildo Carneiro Lemes, após a prisão de dois rapazes, acusados de matar domingo o empresário Onilson Ribeiro Martins, 50 anos. Os jovens estavam devendo R$ 15 mil à vítima.
Segundo a investigação policial, Martins, pai de três filhos e ex-radialista, foi enforcado com um cabo de aço por Roni Peter Pereira Moura, 22 anos, e Marcos Scherer, 26. Eles confessaram também ter matado Márcio Vancézar da Rosa Duarte, em 25 de julho de 96, nas mesmas circunstâncias.
Eles disseram que jogaram o corpo de Martins no mesmo poço abandonado em que tinham deixado o corpo de Márcio Duarte. Onilson Ribeiro Martins era dono de uma empresa de limpeza de carpetes. Ele vendeu algumas máquinas e equipamentos a Moura e Scherer, que eram funcionários da Sanepar há 2 meses. Eles deixaram a empresa para montar um negócio próprio.
Moura e Scherer, ambos casados, com um filho cada um, assinaram nota promissória para Martins, que passou a cobrar a dívida. No início da noite de domingo, eles disseram ao empresário que pagariam o débito mas que o dinheiro estaria na casa de Scherer. Quando chegaram ao local, a dupla o atacou, usando um cabo de aço de acelerador de carro.
Depois, levaram o corpo em um automóvel Del Rey, de Scherer, jogando-o em um poço de água abandonado, ao lado de um campo de beisebol desativado, a 4 quilômetros da cidade, na saída para Tupãssi. Na segunda-feira, familiares de Martins comunicaram à polícia que ele havia desaparecido.
Depois de investigações, agentes chegaram aos dois rapazes, que foram detidos para interrogatório, das 17 às 24 horas de terça-feira, quando confessaram tudo. Quando souberam que os dois tinham trabalhado na Sanepar, policiais lembraram que no ano passado foi denunciado o desaparecimento de outro funcionário da empresa.
Ontem de manhã, depois de novo interrogatório, Moura e Scherer confessaram o assassinato de Márcio Duarte, que era colega de trabalho deles e também credor de Scherer, a quem tinha emprestado R$ 3 mil para a compra do Del Rey. Márcio também foi enforcado, com um fio de luz, dentro do automóvel, e seu corpo jogado no mesmo poço, coberto com tampa de concreto.
O Corpo de Bombeiros trabalhou durante toda a manhã e até o início da tarde para retirar a ossada de Márcio e o corpo de Martins, com muita dificuldade, porque o poço tem 10 metros de profundidade e apenas 90 centímetros de diâmetro.
Os bombeiros tiveram que usar equipamentos de mergulho com respiradores especiais por causa da falta de oxigênio e de espaço para movimentação no poço. Scherer e Moura se acusaram mutuamente pela autoria dos crimes, mas a polícia concluiu que quem os executou diretamente foi o primeiro.
A morte de Márcio Duarte é enquadrada como homicídio qualificado por motivo fútil (12 a 20 anos de pena), e a de Onilson Ribeiro Martins pode ser enquadrada como latrocínio (15 a 30 anos), já que a dupla tomou dele a nota promissória da dívida.


