Presos insistem na greve de fome
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sexta-feira, 09 de março de 2001
Érika Pelegrino de Londrina 
Os 186 detentos da Prisão Provisória de Londrina (PPL) continuavam em greve de fome até o final da tarde de ontem. Desde quarta-feira eles não estão se alimentando. Quatro líderes do movimento já foram transferidos: dois para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e dois para os distritos policiais da cidade. Ontem, porém, segundo o diretor da PPL, o delegado Valdir Fernandes, surgiram outros três líderes. Estamos tentando vagas para transferi-los, afirmou.
Os presos afirmaram que o movimento foi iniciado em protesto contra as condições da PPL. Eles reclamaram da ausência de assistência médica e jurídica mas reivindicavam, principalmente, que os correrias (detentos que ficam soltos nas galerias durante o dia para fazer serviços de faxina e outros) fossem indicados por eles. Eles exigem ainda que os 186 presos fiquem juntos no pátio no horário de sol.
Hoje os horários são alternados entre a ala par e a ímpar. O delegado Fernandes afirmou que ontem já tirou os oito correrias que os detentos não queriam e colocou outros quatro, mas não os indicados por eles. Fernandes explicou que não irá atender as exigências dos presos quanto aos correrias e o horário de sol em conjunto. Eles querem ter o comando da prisão e eu não posso deixar isto acontecer, afirmou.
Representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH), da Câmara Municipal e da Pastoral Carcerária estiveram na PPL para saber das condições estruturais da prisão e ouvir dos presos suas reivindicações. A falta de estrutura foi evidenciada pelo delegado. A única verba, segundo ele, que o Estado manda é de R$ 0,80/dia por preso.
A situação é precária. Atendimentos médico e jurídico, muitas vezes, são obtidos na base da amizade. Os profissionais só fazem porque é para mim, explicou o delegado. O Estado não mantém médicos e advogados contratados para atender na PPL.
Até o computador que tem aqui é meu. Se preciso de dinheiro para trocar uma lâmpada queimada tenho que pedir para a 10ª Subdivisão Policial. A única viatura da PPL tem uma cota de 20 a 30 litros de combustível por semana. Se o combustível acaba durante uma operação, a ordem é para encostarmos o veículo.
A assistência médica também fica prejudicada. Quando alguém fica doente tem um agente penitenciário que leva o preso para o hospital ou posto de saúde, o que não é função do agente penitenciário, explicou o delegado. A PPL conta com 24 agentes. Ele admitiu que nem sempre é possível saber quem está realmente doente já que é comum os presos simularem sintomas de doenças.
Muitas vezes eles utilizam deste subterfúgio para tentar fugir, afirmou Fernandes. No ano passado um preso chegou a provocar um corte em sua própria cabeça e fugiu quando foi levado ao Hospital da Zona Sul. Os presos, porém, afirmaram que quando passam mal ficam até três dias batendo na porta para serem atendidos. E na maioria das vezes somos xingados e não recebemos atendimento, afirmou um dos presos.
Quanto à assistência jurídica, Fernandes afirmou que quem tem advogado tem, quem não tem fica sem. Hoje, 45 dos 186 presos da PPL já foram condenados, mas não foram transferidos para outros presídios. Jorge Custódio, do CDH, afirmou que além da falta de vagas, outro problema que dificulta a transferência dos condenados é a falta de acompanhamento jurídico.
A situação foi apresentada ontem na Câmara dos Vereadores durante audiência com o Secretário de Estado de Segurança, José Tavares.


