Presos garantem torcida animada mesmo sem poder sair das celas
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quarta-feira, 10 de junho de 1998
Anna Camanducaia 
O primeiro jogo da Copa do Mundo movimentou também o dia dos detentos da Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba. Às 11 horas, os internos foram recolhidos às celas para almoçar e assistir ao jogo. Apesar das críticas em torno da equipe brasileira - presentes em qualquer conversa - os presos acreditavam na vitória.
José Nilson de Lima, 27 anos, acertou em cheio o resultado: 2 a 1 para o Brasil. Josinei Lemos da Silva, 32 anos, foi um pouco mais otimista: apostou em 3 a 1. Estamos um pouco desacreditados, mas sabemos que o Brasil é raça, apostava.
Mesmo antes da vitória brasileira, os presos já se preparavam para a comemoração. A cada gol, vamos passar os pratos nas grades, chutar as latas de lixo e gritar muito, dizia Lima. Segundo Silva, quando tem jogo, a animação é a mesma e a cadeia parece que vai cair.
Para os dois, só faltaria cerveja na comemoração. Mas tudo bem, a gente troca a cerveja pelo guaraná, conformava-se José Lima.
CNBB - Sacerdotes, padres e funcionários da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Paraná, pararam suas atividades ontem para acompanhar o jogo da Seleção Brasileira. O secretário executivo da CNBB-PR, padre Carlos Alberto Chiquim, disse que já esperava a vitória do Brasil, mas acha que faltou mais empenho e garra para a equipe nacional.
O resultado poderia ter sido melhor, mas o time acabou se acomodando com o primeiro gol, diz. O jogo contra o Marrocos deve ser mais fácil, na opinião de Chiquim. Ele acredita numa vitória por 4 a 1.


