Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Onze presos fugiram da Cadeia Pública de Foz do Iguaçu durante a madrugada de ontem. Dez deles utilizaram uma teresa (corda feita com lençóis e toalhas), enquanto Gileno Ananias Gonçalves, detento de confiança que trabalhava na cozinha, fugiu por uma porta lateral. Cinco dos fugitivos foram recapturados durante a manhã pelos policiais que fecharam o cerco nas propriedades rurais que ficam atrás do prédio.
Por volta de 6 horas, os presos serraram as grades das celas e utilizaram as barras de ferro para quebrar uma das colunas de concreto do respiradouro, que fica cerca de sete metros acima do solo. Depois de amarrarem a corda na pilastra, eles desceram até o pátio, pularam o muro e fugiram passando por plantações de uma chácara vizinha ao cadeião. Um carcereiro disse que a serra chegou às mãos dos presos escondida dentro de uma marmita.
Durante toda a manhã, cerca de 40 policiais civis e militares fizeram uma vistoria nas celas à procura de armas. Nenhum vigia ouviu os detentos quebrando a pilastra. ‘‘Eles estavam molhando a base da coluna há uma semana para ‘amolecer’ o cimento’’, explicou um soldado.
O sistema interno de segurança foi destruído durante uma rebelião ocorrida no dia 18 de novembro, onde os amotinados queimaram colchões e trocaram tiros com agentes da polícia, resultando na morte de um policial. ‘‘Só acontece no meu plantão’’, desabafou ontem o soldado Ramirez, que já presenciou outras fugas, além da rebelião de novembro. Na época, a cadeia pública, que tem capacidade para 168 presos, estava com 402 encarcerados.
Segundo o delegado-chefe da Polícia Civil de Foz, Luiz Carlos Artigas, o presídio também estava superlotado ontem, com 360 detentos. ‘‘Estamos aguardando a liberação das verbas de Curitiba para iniciar as reformas e ampliar a capacidade da cadeia para mais 109 presos’’, disse Artigas.
As obras estão orçadas em R$ 300 mil e incluem também a construção de muros, a instalação de cercas eletrificadas e circuito interno de vigilância, além da recuperação de várias celas destruídas durante a rebelião, que ainda estão interditadas. O início das reformas do prédio não tem data definida.
‘‘A cadeia pública de Foz ainda não recebeu a atenção merecida do Estado’’, falou o tenente-coronel Renato Ribeiro Peres, comandante do 14º batalhão da Polícia Militar. Para Peres, a fuga dos presos piorou a situação carcerária de toda a cidade. Com mais três celas do cadeião destruídas durante a fuga de ontem, somadas às delegacias lotadas de Foz, os policiais não sabem onde colocarão os presos, que deveriam ser transferidos imediatamente.

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