Presos fogem do 5º DP mesmo com a guarda reforçada
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segunda-feira, 11 de agosto de 1997
Luka Morais 
Londrina
Dorico da SilvaPor cimaA tela que cobre o solário do 5º Distrito: fuga facilitada pelos estragos da rebelião de domingoDepois de uma tentativa de fuga em massa e da rebelião que deixou três reféns machucados e as celas recém-reformadas danificadas, 17 presos conseguiram fugir do 5º Distrito Policial, na zona norte. A fuga aconteceu pouco antes das três horas da madrugada, quando os detentos, usando uma teresa (corda feita com lençóis), conseguiram pular o muro do pátio de sol e chegar às ruas. O distrito - que estava com 53 presos - abriga agora 36 detentos.
O delegado do DP, Edson Casagrande, acredita que eles tenham feito uma escada humana para alcançar a tela de arame que cobre o solário. No alambrado, que fica a uma altura de seis metros do chão, foi aberto um buraco por onde presos passaram. Antes de ganhar a liberdade, os fugitivos tiveram que pular também o muro do DP, que tem cerca de três metros de altura e é cercado por arame farpado.
A ação dos fugitivos foi facilitada pela situação do distrito, que teve na tarde do domingo as portas das seis celas arrancadas pelos presos. Eles acabaram ficando soltos no corredor. Segundo informou o delegado, a porta que impedia o acesso dos presos ao solário foi danificada durante a rebelião.
Diante da falta de segurança do distrito, o juiz da Vara de Execuções Penais e Corregedoria de Presídios, Roberto do Valle, que ajudou a controlar a rebelião de domingo, negociando com os líderes do motim, solicitou à Polícia Militar que redobrasse a guarda externa do DP.
Além do investigador Ivan Marques, ficaram responsáveis pela guarda externa quatro PMs. Dois deles permaneceram numa viatura estacionada do lado de fora do distrito e outros dois no pátio interno. Mas a movimentação dos presos durante a fuga só foi percebida pelo investigador Marques. Eu escutei um barulho e quando subi a escada para verificar o solário vi a teresa pendurada no muro e dei o alarme.
O investigador disse que os policiais militares ajudaram durante a noite a fazer a checagem da situação dos presos, subindo a escada do lado de fora, de onde é possível observar a movimentação nas celas. Os presos ficaram passeando pelo corredor mas não notamos nada de anormal, contou o investigador de plantão.
O delegado Casagrande justificou que, mesmo sabendo que a tranca da porta de acesso ao pátio havia sido danificada durante a rebelião, não poderia determinar a permanência de um guarda no local. Não tenho poder algum sobre a PM.
O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, informou que estava aguardando relatório sobre a ocorrência no 5º DP para depois determinar as medidas a ser adotadas. Ele adiantou que, por determinação do delegado-chefe Leonyl Ribeiro, que ontem estava viajando, seria instaurado inquérito para apurar os responsáveis pela rebelião. Eles deverão responder pelos estragos causados no DP.
Corral Fernandes disse que também deverão ser ouvidos os soldados responsáveis pela guarda do distrito. Eles terão que responder o que estavam fazendo na hora em que houve a fuga.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, Marino Ari Burille, disse que vai apurar se houve falha da guarda externa, mas ele destaca a dificuldade para manter a segurança do local. O distrito, depois de ter passado pela rebelião, não poderia ter ficado com presos lá. Não temos material humano para garantir a segurança de um lugar assim, disse o comandante. O 5º DP é um caso de polícia.
Ontem pela manhã, o engenheiro civil do Decom (Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção), Olavo Roberto Arruda Campos, fez uma vistoria nas celas. Ele informou que seria possível, de imediato, voltar a utilizar três celas, que dependem apenas da reposição das portas, que serão chumbadas na parede. É nessas três celas que o delegado Casagrande deverá manter os 36 presos do distrito. Cada cela tem capacidade para abrigar quatro presos mas deverá receber o triplo.
Além de arrancar as portas e parte das grades das celas, os amotinados danificaram as redes elétrica e hidráulica, que foram reformadas. Vamos ter que fazer um levantamento mais detalhado da situação, disse o engenheiro do Decom.


