Cerca de 30 presos fugiram ontem à tarde do 4º Distrito Policial (DP), na Zona Sul de Londrina, depois de quebrarem uma pilastra de concreto de uma das janelas do corredor. Por volta das 17 horas uma hora depois da fuga 17 deles já haviam sido recapturados na região por policiais civis e militares. Os fugitivos foram encontrados em residências, terrenos baldios, no Centro Cultural Caingang, fundos de vale, em uma chácara e até em um seminário. O distrito, que foi projetado para 24 presos, abrigava aproximadamente 100 homens.
A movimentação dos presos foi percebida por dois policiais militares que faziam a guarda externa do distrito. Dentro da cadeia, segundo informações apuradas pela Folha, havia apenas um carcereiro. Os dois soldados conseguiram impedir que oito presos saíssem. O resto escapou pela frente do prédio e por um muro ao lado, que faz divisa com um terreno vazio. Poucos minutos depois várias viaturas percorriam as ruas próximas, despertando a curiosidade de muitos moradores.
''A gente não tem mais sossego. Moro aqui há 40 anos e já foi bom. De uns três anos para cá é um medo constante. Eu e meu marido somos idosos e, se um deles (fugitivos) entra aqui, não temos como fazer nada. A gente nem sai mais de casa à noite'', queixou-se a dona de casa Natalina Souza Justino.
Poucas casas adiante, a também dona de casa Ires Aparecida Ramos, assustou-se com a movimentação de policiais na Rua Capitão Pedro Rufino, onde mora. Ela havia saído para levar a neta no ponto de ônibus, e ao chegar, não teve coragem de entrar sozinha em casa. O tenente Ricardo Eguedis, do 5º Batalhão da Polícia Militar, vistoriou a residência para que a proprietária se tranquilizasse.
No seminário Comunidade Emaús, localizado na mesma rua, dois presos foram recapturados na casa de ferramentas. ''Ninguém percebeu quando eles entraram.'', afirmou um estudante, que preferiu não se identificar.
Um dos presos recapturados iria ser libertado ontem à tarde. No momento em que ele era trazido de volta, dentro do camburão do Pelotão de Choque, um oficial de justiça procurava por ele dentro do distrito, com o alvará de soltura em mãos. A Folha não conseguiu contato com o delegado Davi Passelino para saber como fica a situação do detento. Até o fechamento desta edição ainda não havia o número exato de quantos presos conseguiram fugir.

mockup