Dezessete dos 19 detentos que estavam em duas celas do 4º Distrito Policial de Londrina fugiram na madrugada de ontem por um buraco aberto na parede. A fuga aconteceu justamente na semana em que os delegados começaram a remoção de presos perigosos ou já condenados para os presídios ou para a Prisão Provisória de Londrina (PPL), num processo para acabar com a superlotação nos distritos.
O investigador Ademilson Alves Batista, que estava de plantão durante a noite, disse que os detentos serraram as barras das grades da porta e, ao ganharem o corredor, quebraram uma das pilastras que dão acesso para a parte externa. Fora da carceragem eles arrebentaram a tela de arame e fugiram pelo portão dos fundos, que não fica trancado com cadeados. Na hora da fuga, somente Batista estava no DP e não havia guarda externa.
‘‘Todas as noites os presos conversam bastante e ligam o rádio e a TV no máximo. E esta madrugada não foi diferente. Como sou plantonista, não posso deixar o prédio e nem entrar sozinho na carceragem. Só percebi a fuga por volta das 7 horas, quando fui fazer a ronda para passar o plantão’’, informou Ademilson Batista.
Da porta de acesso à carceragem, o plantonista só tem visão para o corredor que fica em frente à porta, não conseguindo verificar a situação nas outras quatro celas. O corredor em que a fuga aconteceu, fica do outro lado do presídio.
O delegado operacional da 10ª Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, esteve no 4º DP acompanhando o trabalho dos peritos. ‘‘Os distritos não são para funcionar como alojamento de presos. Infelizmente a superlotação permite que aconteçam estas fugas’’, comentou. No momento da fuga, haviam 52 presos e estava prevista a remoção de alguns deles, nos próximos dias, para penitenciárias ou outros distritos policiais.
Na semana passada, pelo menos 20 outros detentos já haviam sido removidos para outros locais, seguindo determinação do juiz corregedor dos presídios, Roberto do Valle, que interditou parcialmente todos os DPs por causa da superlotação carcerária. A capacidade para a cadeia é de 24 presos, mas com a determinação judicial, poderia receber mais dois detentos em cada cela, num total de 36. Ironicamente, a capacidade do 4º DP, após a fuga, deixou a população carcerária dentro do limite, com 35 presos.
‘‘Entre estes presos, provavelmente havia alguns com transferência marcada para os próximos dias. Eles só anteciparam a saída’’, comentou o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Gilson Garret Algauer. Para ele, além da falta de vigilância externa dos distritos policiais, o material usado na construção das cadeias é de baixa qualidade, facilitando as fugas.

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