Presos fogem da delegacia de Cambé
Telma Elorza
De Londrina
A Polícia Civil de Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina) ainda não tem pistas dos 12 presos que fugiram da delegacia daquela cidade no último sábado. Outros cinco foram recapturados no mesmo dia. A fuga ocorreu no começo da tarde do dia de Natal, quando os 17 detentos aproveitaram uma saída não autorizada do carcereiro de plantão para serrar as grades de uma das celas e estourar os cadeados das outras. Esta é a segunda fuga da delegacia em dois meses. A última foi facilitada por um investigador.
Segundo a delegada de Cambé, Geanne Fernandes Felício dos Santos, o carcereiro cuja identidade está sendo mantida em sigilo saiu para almoçar na casa dos pais, deixando em seu lugar um funcionário da prefeitura. Os presos aproveitaram a ausência do policial e serraram a grade de uma das celas. Apesar do tamanho inexpressivo da serra, eles não tiveram muitas dificuldades porque este metal (das grades) não é muito resistente. Com uma hora de trabalho, fizeram isto, apontou.
Depois de serrarem a grade, os fugitivos usaram um estoque (barra de ferro limada para ficar pontiaguda) para arrebentar os cadeados das outras celas e da grade que separa o corredor. Aí foi só forçar o portão externo e saírem, disse a delegada.
Segundo Geanne dos Santos, o carcereiro foi afastado da função embora continue trabalhando na delegacia. Estou com um quadro bastante deficitário e não posso perder ninguém agora. Hoje tenho apenas seis investigadores sendo que um não entra em plantões e um está de férias para atender todo o município, que conta atualmente com cerca de 80 mil habitantes, explicou. De acordo com a delegada, a prioridade agora está sendo a recaptura dos fugitivos. Ele (o carcereiro) vai responder por seus atos. Mas agora todos os nossos esforços estão sendo dirigidos para a captura dos que continuam soltos, afirmou.
Segundo o delegado-adjunto Acácio de Azevedo, que responde interinamente pela chefia da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, está sendo estudada uma permuta para transferir o carcereiro para outra localidade. Não temos como removê-lo se não for feita uma troca. Além disto, vamos abrir inquérito para apurar a fuga e instaurar um processo administrativo, explicou.
Azevedo afirmou que conhece as dificuldades enfrentadas pelos poucos policiais daquela cidade. Mas isto só poderemos resolver se for efetivada alguma transferência ou se sair a nomeação dos aprovados no concurso da Polícia, justificou. Segundo ele, a falta de efetivo é um problema generalizado, embora isto não justifique negligência. Se as condições e os meios que temos são estes, temos que fazer o melhor possível, afirmou.





