Presos fogem da Delegacia de Alto Maracanã
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Uma fuga na madrugada de ontem na Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), reavivou as discussões sobre falta de estrutura das cadeias públicas do Paraná. A cadeia, com apenas quatro celas e capacidade total para 16 presos, estava com 83 detentos. Apenas um plantonista fazia a vigilância da carceragem. O local não tem estrutura para abrigar presos e chegou a ser interditado há três anos por uma ação promovida pelo Ministério Público (MP) estadual.
''Era previsto que isso iria acontecer. A situação da delegacia é lamentável. E os presos que fugiram são de alta periculosidade'', lamentou ontem o delegado José Mário Franco. Entre os crimes praticados pelos 22 detentos que fugiram estão roubo, estupro e furto de veículos. Por volta das 4 horas, os presos fizeram um buraco de 80 centímetros no piso e atingiram a galeria pluvial, o que acabou facilitando a fuga. O policial de plantão só percebeu a movimentação porque uma das câmeras instaladas mostrou o momento que os detentos corriam numa área que dá acesso ao ginásio de um colégio, cerca de 15 metros do terreno baldio que fica perto da delegacia.
O plantonista ligou para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e a Polícia Militar. ''Se ele não tivesse visto, todos os presos ganhariam a liberdade e teríamos um problema bem maior'', analisou o delegado. Apenas um foi recapturado. Como não existe condição de os presos permanecerem nas celas, eles foram colocados pela manhã no solário. ''O piso é de cimento, mas é uma casca de apenas cinco centímetros. Um pouco de força e é possível acabar com o piso. Só não podíamos imaginar que o local dava direto para uma galeria. Foi sorte dos presos'', comentou Franco.
A suspeita é a que os presos tenham usado peças de ventilador para cavar o buraco. A delegacia permite este tipo de equipamento por conta da superlotação. Ontem o delegado divisional da Região Metropolitana, Newton Rocha, informou que não tem como transferir os presos por falta de vagas no Centro de Triagem de Curitiba. ''Temos que ter calma para analisar que o Estado tem limites com relação a disponibilidade de vagas'', explicou.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública informou que está sendo feito um estudo para tentar transferir os presos de Alto Maracanã para outras unidades. Ontem ainda foram liberados R$ 8 mil da Divisão de Infra-Estrutura para fechar o buraco e fazer reformas emergenciais na delegacia.


