A realidade de superlotação nas carceragens de delegacias de todo o Paraná não é nenhuma novidade já há bastante tempo. Em Ibaiti, no Norte Pioneiro, município que registrou a última fuga de presos no Estado há uma semana, quase 70 presos ocupam um espaço que, originalmente, deveria abrigar apenas 19. O prédio, de cerca de 60 anos, tem forro de madeira e os policiais tiveram que improvisar duas celas - equivalente a dois ''puxadinhos'' - fora da ala onde ficam os mais perigosos.
A carceragem principal já chegou a contar cerca de 50 presos. No último domingo, três presos perigosos - um homicida, um traficante e outro com diversas passagens - serraram o forro de madeira, quebraram cadeados e fugiram sem grande dificuldade. Até agora, nenhum deles foi recapturado. Na noite da fuga, só uma investigadora tomava conta da delegacia e dos presos.
''O mutirão carcerário não ajudou em quase nada aqui. Agora está dando para sobreviver, mas ainda tem preso no aguardo de liberdade e outros que estão há nove, dez meses sem nem uma audiência'', reclamou um dos líderes do grupo. Um outro preso disse que foi condenado por furto, ganhou a liberdade, foi preso novamente há 15 meses e desde então permanece na delegacia.
Para conseguir dar conta de manter todos presos com o mínimo de segurança, o jeito foi improvisar duas celas nos fundos do prédio. Num deles, que tem cerca de quatro metros quadrados, oito homens sobrevivem literalmente espremidos. As instalações sanitárias são precárias. Um dos presos dorme embaixo da cama feita em cimento. Os demais se espalham pelo chão.
''A gente tem que revezar até para dormir. A gente não tem espaço nem para levantar e pisar no chão'', contou um dos presos no local. ''Se a gente quisesse fugir seria muito fácil. Mas todo mundo que está aqui sabe que errou e quer pagar pelo seus erros. Mas nestas condições fica muito difícil'', advertiu um outro preso.

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