Presos fazem motim e são transferidos
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sexta-feira, 26 de agosto de 2005
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Os presos do 2 º Distrito Policial, localizado na Zona Leste de Londrina, fizeram na tarde de ontem um princípio de rebelião para protestar contra a superlotação da carceragem. Dezessete detentos, considerados os maiores agitadores da unidade, foram transferidos para a Casa de Custódia de Londrina (CCL). Mesmo com a transferência, o distrito permanece com número de presos maior do que a capacidade oficial. Duzentos e três estão abrigados onde caberiam apenas 65.
Os internos conseguiram arrebentar as grades de uma das celas e tiveram acesso ao corredor. Os cadeados de outras três também foram quebrados. Cada cela, que é projetada para abrigar quatro, estava com 14 presos. A Tropa de Choque foi acionada imediatamente e o motim foi controlado. Os detentos foram obrigados a entrar no pátio de sol, onde passaram por revista completa. Uma bomba de efeito moral foi utilizada.
A chefia pediu e a Vara de Execuções Penais autorizou a transferência de 17 presos para a CCL. Segundo o delegado responsável pelo 2 º DP, Marcelo Sakuma, os ''cabeças'' do motim foram escolhidos para deixar a unidade. ''A revolta foi por causa da superlotação do distrito. Não teve relação com a briga de ontem (anteontem) à noite'', afirmou. Após a remoção dos presos, os policiais fariam uma vistoria nas celas arrombadas para verificar as condições de uso.
Os detentos seriam abrigados nas celas que não tivessem sido danificadas com gravidade. Antes do motim, o 2 º DP contava com 220 presos. Para o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, o problema da superlotação dos distritos é ''crônico e de longa data.'' ''Administramos o dia-a-dia das carceragens superlotadas. Acredito que a entrega do Centro de Detenção Provisória vai solucionar este problema'', declarou. A CCL, cuja capacidade oficial é de 220 vagas, está com 445 detentos.
Na noite de anteontem, outra briga séria entre presos foi registrada no 2 º DP. Por volta das 19 horas, um detento bateu em um colega de cela com uma barra de ferro, e em seguida foi espancado pelos demais colegas. Havia 18 pessoas na cela, onde a capacidade é para apenas quatro.
Os feridos foram Genivaldo Aparecido de Souza, de 25 anos, e Fernando Rodrigues da Silva, de 22 - a polícia não soube informar qual dos dois seria também agressor. De acordo com a assessoria de imprensa da Santa Casa, para onde eles foram encaminhados, ambos tiveram trauma no crânio. Genivaldo também sofreu fratura no braço e, Fernando, um corte contuso na cabeça. Eles foram liberados ainda na noite de quinta-feira.
Ontem, Sakuma disse que ainda não havia apurado o motivo da briga. Segundo ele, se os laudos do Instituto Médico Legal (IML) classificarem os ferimentos sofridos pelos detentos como graves, deverá ser instaurado um inquérito. Os agressores já receberam registro de mau comportamento em suas fichas. Foi a terceira ocorrência do tipo nos distritos da cidade só nas duas últimas semanas. (Colaborou Vanessa Navarro)


