Presos fazem greve de fome na Prisão Provisória de Londrina
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segunda-feira, 25 de junho de 2001
Osmani CostaDe Londrina 
Os 185 presos da Prisão Provisória de Londrina (PPL) completaram ontem o quarto dia de greve de fome em protesto contra as mudanças no sistema de visitas impostas pelo juiz da Vara de Execuções Penais e Corregedoria de Presídio da região (VEP), Roberto do Valle. Na manhã de ontem, três presos passaram mal em consequência da fraqueza provocada pela falta de alimentação e tiveram que ser levados ao Hospital Universitário (HU) para serem medicados.
De acordo com um dos presos doentes, César Alves Pereira, que sofre de bronquite, muitos detentos sofreram tontura, tiveram queda na pressão arterial e desmaiaram desde o início da greve de fome. As marmitex individuais estão sendo deixadas sistematicamente pelos presos nos corredores das duas alas de celas, segundo agentes de segurança da PPL. Eles reivindicam principalmente o retorno ao antigo sistema de visitas, e que elas possam ser feitas no final de semana.
Segundo os presos, as mudanças determinadas pelo juiz da VEP na terça-feira passada diminuíram o tempo e dificultaram as visitas íntimas e dos familiares. Antes, os visitantes podiam entrar das 9 horas às 11h30 e saiam às 17 horas. Agora, eles só podem entrar das 9 horas às 10 horas, e têm que deixar a prisão até as 16h30. Além disto, os presos não podem mais receber os visitantes nas alas das celas e no pátio maior. As visitas ficaram restritas ao pátio menor. As visitas íntimas de mulheres e namoradas também não podem mais ser feitas nas celas, como anteriormente.
Na manhã de ontem, o promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais e da Cidadania, Paulo Tavares, e membros do Centro de Direitos Humanos (CDH) fizeram uma vistoria na PPL acompanhados pelo delegado João Aquino de Almeida. O presidente do CDH, advogado Jorge Custódio, disse que a entidade recebeu vários telefones nos últimos dias, de familiares dos presos reclamando contra as mundaças no sistema de visitas e supostos maus-tratos do Batalhão de Choque da Polícia Militar.
Os presos reclamam ainda da qualidade da comida e da superlotação do presídio, que conta com 144 vagas mas abriga atualmente 185 detentos. O tenente Carlos Alberto Guedes, que na manhã de ontem coordenou a operação de transferência dos três presos doentes ao HU, negou que os PMs do Choque tenham maltratado os detentos nas últimas vistorias.
Estamos preocupados com a saúde dos presos, que parecem irredutíveis na posição de não se alimentarem. Queremos que as penas sejam cumpridas com dignidade, mas é lógico que as condições de segurança precisam ser observadas e respeitadas, comentou o promotor Paulo Tavares. Ele explicou que o juiz da VEP teve motivos para alterar a forma de visitas, entre os quais a entrada de armas, drogas e celulares para os presos levados por visitantes.
A comissão que esteve de manhã na PPL voltou à tarde para negociar com os presos. Segundo o membro do CDH, Gelson Gil a comissão fez a proposta de construir dois banheiros no setor de visitas íntimas e aumentar a cobertura no pátio de visitas para maior proteção nos dias de chuva e sugeriu que os presos façam uma experiência de um mês no novo sistema de visitas.
De acordo com Gil, as construções serão feitas através da comissão de negociação com os presos com o auxílio da comunidade. Os presos irão dizer amanhã às 9h30 se aceitam a proposta e suspendem a greve de fome, ou não. (Colaborou Érika Pelegrino)


