Presos fazem greve de fome em Piraquara
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de abril de 2005
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Presos da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), na Região Metropolitana de Curitiba, estão em greve de fome há aproximadamente 15 dias. A Folha apurou que o protesto teria sido motivado pelas torturas e maus-tratos que os internos alegam sofrer dentro da unidade, além da superlotação. A versão, denunciada por familiares dos detentos, é negada pela Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania.
Por meio da assessoria de imprensa, a secretaria informou que oito presos permaneciam em greve até ontem. Eles estariam tendo acompanhamento médico e recebendo soro, quando necessário. Segundo a assessoria, o grupo reivindica a transferência para outras unidades, mas a exigência somente será analisada por representantes do Sistema Penitenciário depois de encerrado o protesto.
Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, a direção da PEP contesta qualquer denúncia de que os presos que aderiram à greve estejam doentes ou tenham sofrido maus-tratos. A situação de normalidade, segundo a assessoria, foi constatada por duas advogadas da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Paraná (OAB-PR), em visita no última dia 25.
O Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Paraná (Sinspp) tem outro posicionamento. ''A PEP sempre foi uma das unidades onde houve mais denúncias de tortura'', destacou a presidente da entidade, Sandra Duarte, lembrando da morte, segundo ela, a pauladas, do interno autor de uma chacina em Colombo, dentro da PEP, no ano passado. A versão oficial da morte do detento foi a de que ele teria se suicidado, enforcando-se com um fio.
A OAB-PR informou, por meio da assessoria de imprensa, que a Comissão de Direitos Humanos fará a mediação entre os presos e a direção da PEP na tentativa de acabar com a greve de fome. Os representantes da comissão que estiveram na unidade já entregaram o relatório da visita ao presidente da entidade, Manoel Antônio de Oliveira Franco. O documento informa que os presos em greve estão isolados, sendo assistidos e recebendo oferta de alimentação diariamente. Não há, segundo os advogados, clima propenso a rebelião.


