Curitiba Os presos da Delegacia de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, iniciaram na manhã de anteontem uma greve de fome. Eles dizem que estão cansados da superlotação e do rodízio para dormir em colchões e redes durante a noite. A delegacia tem capacidade para 16 presos e abrigava ontem 93. ''O que eles querem é pressionar as autoridades governamentais pedindo transferência para outras unidades. Estou aqui há um ano e quatro meses e tenho endurecido. Prendo todos os bandidos que cometem crimes contra a vida. Mas apenas entra gente na prisão. Não sai ninguém em transferência. A situação dos presos é complicada'', admitiu o delegado Gerson Machado.
Celas com capacidade para quatro presos têm 20. Além da comida distribuída pelo governo do Estado, os detentos podem receber reforço de alimentos levados pelos familiares duas vezes por semana. ''Estamos fazendo tudo o que é possível para aliviar a pena deles. Mas eles são bandidos. Aqui dentro não tem nenhum inocente. Temos que trabalhar no limite para evitar o enfraquecimento do nosso sistema de plantão'', comentou o delegado. Ele mandou ontem ofícios relatando a situação carcerária da delegacia, a greve de fome dos presos e a necessidade de remoção de alguns detentos para o Ministério Público (MP) estadual, para a Vara de Execuções Penais (VEP) e para a Secretaria de Segurança Pública.
''Estamos torcendo para que saia a remoção. Pelo menos a metade tem que ser transferida. Eles ameaçaram quebrar tudo se não fossem retirados daqui. Conseguimos pacificar. Mas não sei até quando vai durar a greve de fome. Tudo o que temos recebido de resposta do governo do Estado é que não existem vagas para a transferência'', lamentou Machado.
A delegacia de Pinhais tem apenas quatro celas. Os corredores também estão fechados para abrigar os presos. Dos 93 presos, 12 são condenados e deveriam estar no Sistema Penitenciário do Paraná; seis são adolescentes e deveriam ser encaminhados para a Delegacia da Infância e da Adolescência; e dois estão doentes e com atestados médicos recomendando transferência para o Complexo Médico Penal (CMP).
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública informou ontem que está estudando a transferência de parte dos presos para outras cadeias da Região Metropolitana de Curitiba. No caso dos condenados, eles deverão ser transferidos para o sistema penitenciário. Um estudo neste sentido está sendo feito junto à Secretaria de Estado da Justiça. A assessoria informou ainda que neste ano a secretaria pretende investir cerca de R$ 12 milhões na construção, ampliação e reformas das delegacias do interior do Paraná. No ano passado, foi investido R$ 1 milhão.
No final da tarde, o delegado informou que os sete adolescentes serão encaminhados para o Serviço de Assistência Social, em Curitiba. Ele tem esperanças que a greve seja suspensa hoje.

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