Presos fazem greve de fome em Curitiba
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de março de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Um grupo de presos da Casa de Custódia de Curitiba começou ontem uma greve de fome por tempo indeterminado. O protesto é em represália à direção do presídio, que não teria atendido as reivindicações dos rebelados. De acordo com a mulher de um dos presos, Cristiane Lima, o protesto é pacífico. Os internos pedem aumento do horário de visitas (hoje são duas horas por semana), presença constante de crianças nas visitas (elas só são admitidas no segundo domingo de cada mês), canteiros de trabalho para redução de pena, assistência médica adequada, progressão de pena para os presos que têm direito de ir para regime semi-aberto e direito a visita íntima.
''O tratamento dentro da unidade tem que ser mais humano. Nas penitenciárias, os internos dos direitos são respeitados. O mesmo não acontece na Casa de Custódia'', reclamou Cristiane. A Casa de Custódia tem 483 internos e capacidade para 500. Entretanto, segundo a advogada Cláudia Pereira, que defende 12 presos da CCC, uma minoria aderiu ao movimento grevista.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Justiça informou ontem que não sabe ao certo quantos presos estão participando da greve de fome. Entretanto, a grande maioria teria tomado café da manhã normalmente. A greve teria começado na hora do almoço. Quanto às reivindicações dos detentos, a assessoria informou que a secretaria não pretende atender. O horário de visitas não deverá ser alterado.
O direito de visita íntima, segundo a secretaria, não é extensivo aos internos provisórios, já que a rotatividade de presos é grande e a concessão deste tipo de benefício tornaria a unidade mais sucetível a rebeliões. Também não se pretende aumentar as visitas de crianças. A assessoria de imprensa informou ainda que a unidade oferece assistências médica e odontológica. Os canteiros de trabalho estão sendo estudados, mas, segundo a secretaria de Justiça, esta não é uma obrigação de prisões provisórias, mas de unidades prisionais de regime fechado e semi-aberto.


