Os três presos, vítimas de espancamento na Casa de Custódia de Londrina (CCL) no início desta semana, fizeram exame de corpo delito e foram ouvidos pelo delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial (SDP), João Eduardo Carulla, ontem à tarde. Durante o exame, o médico legista determinou que Paulo Eugênio Pereira fosse encaminhado para o Hospital Universitário (HU). Ele tinha dificuldades para andar, escarrava e urinava sangue.
Os exames e os depoimentos foram acompanhados pela comissão do Centro de Direitos Humanos (CDH) e da Pastoral Carcerária. A comissão esteve na CCL na quarta-feira, onde constatou que os presos estavam sendo vítimas de agressões físicas e humilhações.
Os três casos mais recentes, que poderiam compravar espancamentos através da realização de exame de corpo delito, são os dos presos Paulo Pereira, Alex Fernando Marani e Wilson Aparecido Sanches. Segundo o coordenador do CDH, o advogado Jorge Custódio, nos depoimentos prestados ao delegado Carulla, os detentos reafirmaram os espancamentos.
Segundo o advogado, Paulo Pereira relatou que após fazer uma brincadeira com outro preso, o agente penitenciário determinou que ele saísse da cela e fosse para o pátio. Ele disse que foi colocado com as mãos na parede e espancado por sete agentes penitenciários. A lesão mais grave, segundo Custódio, parece ter sido na região dos rins, provocada por um golpe de cassetete.
Wilson Aparecido Sanches contou que apanhou na segunda-feira de manhã, depois de pedir para o agente penitenciário que fazia a contagem de presos nas celas, às 7h30, que falasse mais baixo porque os outros presos estavam dormindo. Na sequência, segundo ele, o agente penitenciário disse para ele descer para o pátio e lá três policiais do Pelotão de Choque, que faziam a revista nos presos, deram-lhe 15 pauladas na cabeça.
O delegado afirmou que fará um relato com os depoimentos para ser encaminhado ao 4º Distrito Policial para abertura de inquérito. Carulla confirmou que os presos estão feridos, mas disse que só a investigação policial irá determinar em que circunstância e quem provocou as lesões. O inquérito policial será aberto na segunda-feira.
Ontem à tarde a comissão do CDH entregou também ao delegado-chefe da Polícia Federal, João Prado, um dossiê relatando o que foi constatado na CCL na quarta-feira. A comissão pede abertura de inquérito na Polícia Federal, para investigar crime de tortura. A PF vai analisar o pedido para verificar se é de sua competência.
Custódio afirmou que a denúncia na PF foi feita com base no artigo 20 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos–OEA, da qual o Brasil é signatário; do artigo 5º da Constituição e na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

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