Os 30 detentos da cadeia de Santo Antônio da Platina (22 km ao sul de Jacarezinho) se rebelaram na tarde de ontem, fazendo o carcereiro Márcio Mendes e três menores presos (não identificados) como reféns por cerca de quatro horas, enquanto aguardavam a presença da juíza substituta Roseli Geseler para negociações. Alguns presos afirmaram que já cumpriram a pena e se negavam a continuar no local. O motim acabou no incício da noite, quando a juíza substituta conversou com os detentos e prometeu analisar os processos individualmente.
‘‘A gente não quer represália, vamos acertar tudo numa boa. Só que tem gente aqui dentro que já terminou a pena e continua preso. A comida é péssima. Isso aqui é um lixo. Nem um cachorro merece o tratamento que temos aqui’’, afirmou o preso Cristiano Aparecido Miranda (Sagui), 25 anos, em contato telefônico com a Folha no início da rebelião.
A rebelião foi iniciada por volta das 14h30 quando o carcereiro levava os presos para tomar sol. Segundo o delegado Jorge Luiz Wolker, pela manhã, durante a chamada ‘‘varredura’’ (limpeza geral) foram encontrados nas celas materiais de fuga feitos artesanalmente com cano de PVC e outros objetos. Os presos não estavam armados. Eles quebraram o sistema de vídeo, instalado nas celas e ameaçaram linchar o carcereiro.
O detento João Carlos Rosa foi preso por furto no dia 11 de abril de 1995. ‘‘Já paguei pelo que fiz durante um ano e meio e ninguém me tira daqui’’, disse. Segundo ele, outros presos que deviam ter sido transferidos para a Colônia Penal há mais de seis meses continuam ali. ‘‘Aqui não tem diferença de criminalidade, estamos todos misturados e pagando o mesmo preço’’.

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