Os presos excedentes dos distritos policiais de Londrina serão transferidos para cadeias de municípios vizinhos. Esse é o efeito imediato da rebelião ocorrida no último sábado, quando os cerca de 80 detentos do 3º DP destruíram celas e queimaram colchões. A remoção foi determinada ontem pelo secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira.
Segundo ele, a superlotação nas delegacias é uma herança dos governos anteriores. O secretário também criticou o juiz da Vara de Execuções Penais e corregedor dos presídios, Roberto do Valle. O juiz ameaça liberar presos à espera de julgamento se o governo não tomar providências para reduzir a superlotação e reforçar a segurança nas delegacias. Oliveira disse que o magistrado, antes de tudo, deveria saber do esforço feito por sua secretaria, em conjunto com a Justiça e as polícias Civil e Militar, para resolver essas questões.
Durante a rebelião, Valle perguntou onde estava o secretário para ajudá-lo a solucionar o problema. Ele esteve no 3º DP apesar do Tribunal de Justiça (TJ) proibi-lo de intervir nos distritos policiais de Londrina - o procurador-geral do Estado, Josué Grotti, teria sido estimulado por Oliveira para entrar com essa liminar. Motivo: o juiz já havia interditado o 5º DP por superlotação, falta de infra-estrutura básica e pouca segurança.
No desabafo do secretário, sobrou até para a Câmara de Vereadores. De acordo com ele, os vereadores teriam impedido que fosse doado um terreno para a construção de um presídio.
Todas essas declarações de Oliveira foram extraídas do noticiário local da rádio CBN, em Curitiba. A Folha tentou contato com ele em três ocasiões ontem à tarde. Na primeira, estava em reunião, mas sua assessoria marcou entrevista para as 17 horas. No horário combinado, uma assessora disse que ele havia cancelado a conversa para ir ao Palácio Iguaçu. A reportagem ainda o procurou no Palácio; porém, ninguém soube informar o paradeiro do secretário.

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