Giovani Ferreira
De Curitiba
Um grupo de dez presos estrangeiros, que está cumprindo pena na Penitenciária Central do Estado (PCE), iniciou ontem uma greve de fome exigindo da Justiça a extradição para seus países de origem. A mobilização dos presos motivou uma reunião entre integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PR) e a direção da PCE. No início da noite de ontem o Secretário de Estado da Justiça, José Tavares, também estava sendo esperado para uma conversa com os presos.
Os detentos que estão em greve de fome cumprem pena por tráfico de drogas, crime considerado hediondo pelo Código Penal Brasileiro. Os advogados dos estrangeiros afirmam que eles já cumpriram dois terços de suas penas. As condenações são de cinco a 15 anos de prisão. Se fossem brasileiros, ao cumprir dois terços da pena eles teriam direito ao benefício de prisão semi-aberta. Mas como são estrangeiros e não possuem parentes e nem residência fixa no Brasil, eles não podem ser beneficiados.
Ricardo Ravazzani, um dos advogados que está defendendo os presos, disse que o pedido dos estrangeiros foi motivado principalmente pelo caso do sequestro do empresário Abílio Diniz. Recentemente todos os sequestradores estrangeiros de Diniz conseguiram ser extraditados para os seus países de origem, depois de um agreve de fome que durou dois meses. Essa decisão abriu um precedente que pode ser reivindicado em muitas situações, disse o advogado.
No primeiro dia de greve os detentos fizeram três exigências à direção da PCE. A primeira é que eles fosse colocados em local isolado dos demais presos, a segunda foi um pedido de água mineral e a terceira que eles tivessem à disposição uma equipe de paramédicos. Até o encerramento dessa edição a Folha ainda não tinha a confirmação se as solicitações haviam sido atendidas. A direção do presídio até o início da noite não havia se posicionado sobre o problema.
Os presos em greve são Ibraim Abayoni Moshoad Sufian, da Nigéria; os irmãos José Carlos Chaves Burga e Adolfo Chaves Burga, da Bolívia; e Nelson Eugênio Garabía Cave, Enrique Agustin Pirotti, Hugo Andres Ariguello Farina, Gregório Celestino Martines, Luis Alberto Viscorra Vargas, Maximiliano Medrano Mendes e Nicolas Campos Villon, que são da Argentina, Uruguai e Paraguai. Eles foram presos em várias regiões do Estado.

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