As más condições em que os presos estão recolhidos em Londrina, durante o período em que a Justiça está desafogando as cadeias dos Distritos Policiais da cidade, foram constatadas ontem à tarde pela Folha. Seis presos estão detidos há três dias no Centro de Triagem da 10º Subdivisão Policial (10º SDP), em duas celas sem banheiro, ventilação, nem colchões e recebendo quase nenhuma alimentação. Ontem à tarde o delegado chefe da Polícia Civil, Gilson Algauer Garret, não sabia o que fazer com os presos e afirmou que a juíza de plantão, Lidia Maejima, é que teria que decidir para onde encaminhá-los. A juíza afirmou que a responsabilidade da situação é da Secretaria Estadual de Segurança Pública.
Os cúbiculos onde os presos estão recolhidos medem cerca de seis metros quadrados e estão em péssimas condições de higiene e manutenção. Normalmente eles são usados para recolher presos que passam apenas algumas horas até serem encaminhados para uma cadeia. Ontem à tarde uma das celas abrigava cinco detentos e a outra abrigava um, com indícios de ter problemas mentais.
Os presos se queixam que estão passando fome e sede, não tomam banho e dormem no piso de concreto. ‘‘A polícia nos dá apenas uma refeição ao dia. Para tomar água gente precisa implorar. Estou sem tomar banho há três dias. Esse lugar é horrível. Dá vontade de se matar’’, disse Edgar Rodrigues Vieira, 18 anos, réu primário e acusado de furto.
João Paulo de Oliviera, 19 anos, baleado durante uma tentativa de assalto, se queixava de fortes dores no ferimento. ‘‘Não aguento mais de dor e não me dão nenhum remédio. Eu sei que fizemos coisas erradas, mas não podemos ficar nesse lugar. Cadê as autoridades?’’. Os presos também afirmam que à noite as celas ficam ainda mais lotadas com os alcoólatras que são recolhidos das ruas pela PM.
A juíza Lidia Maejima disse que presos provisórios são de responsabilidade do poder excutivo estadual. ‘‘Eu decido quem fica preso e quem vai ser solto. A decisão sobre onde guardar os presos não é minha. Isso não é problema nosso’’, afirmou.
O delegado Garret disse que a situação carcerária da cidade começa a se agravar. ‘‘A situação é grave e preocupante. Mas não podemos deixar de trabalhar só porque não temos para onde levar os presos’’, disse.
Desde o início do mês os distritos policiais estão interditados parcialmente pela Justiça. Cerca de 120 presos dos quatro distritos policiais que mantêm carceragens já foram transferidos.
Hoje os distritos somam um excedente de 38 detentos. Com a transferência destes, os DPs estarão dentro da capacidade máxima estabelecida pelo juiz corregedor Roberto do Valle que determinou 78 presos no 2ª DP, 48 no 3º DP, 36 no 4º DP e 36 no 5º DP. Cada cela poderá ter apenas seis presos. Antes da interdição algumas tinham até 14.
Na época da interdição, o juiz determinou que 212 detentos fossem transferidos dos distritos. Hoje, segundo ele, este número mudou. Houve fuga – 17 fugiram do 4º DP no último sábado – e foram emitidos dois alvarás de soltura. O prazo determinado por Valle para que os distritos façam os remanejamentos é 2 de novembro. A conclusão da Cadeia Pública, prevista para novembro, é apontada como a solução para a falta de vagas para presos em Londrina. (Colaborou Érika Pelegrino)