Horas depois do princípio de rebelião motivado pela superlotação, o 2º Distrito Policial (DP) de Londrina (Zona Leste) teve que receber, anteontem, dois presos que foram espancados em outra unidade. Foi a segunda briga entre detentos registrada nos distritos policiais em apenas 24 horas, e a quarta nas duas últimas semanas.
Segundo informações do Siate, que socorreu os detentos, Eduardo Ferreira da Silva, 32 anos, teve ferimentos leves, e Sérgio dos Santos Abe, 30 anos, sofreu ferimentos graves, porém sem risco à vida. Eles foram atendidos no Hospital Universitário (HU) e liberados na mesma noite. A agressão ocorreu em uma cela do 4º Distrito Policial (DP), na Zona Sul, por volta das 19h30 de sexta-feira. O único policial que estava de plantão na unidade ontem não soube dar mais detalhes.
Por motivos de segurança, Silva e Abe foram transferidos para o 2º DP. Mas, atualmente, ''segurança'' não é uma palavra que se aplique ao distrito: com 204 presos, 139 a mais do que a capacidade original, o 2º DP é um barril de pólvora. Na tarde de anteontem, presos arrebentaram grades, chegaram até o corredor e tiveram de ser contidos pela Tropa de Choque da Polícia Militar (PM). Dezessete detentos tidos como os maiores agitadores da carceragem foram transferidos para a Casa de Custódia de Londrina (CCL).
A superlotação também pode estar estimulando brigas cada vez mais frequentes entre detentos. O próprio 2º DP registrou duas agressões na noite de quinta-feira. O 4º DP, onde até ontem havia 76 presos no espaço idealizado para 24, teve mais dois casos de espancamento na semana passada.
''A Lei de Execução Penal diz que cada detento deve ficar recolhido em uma cela unitária. Desconheço que isso ocorra em qualquer carceragem do Brasil. Quando você recolhe vários presos numa mesma cela sempre existe animosidade'', argumentou o delegado-chefe da 10 Subdvisão Policial (SDP) de Londrina, Jurandir Gonçalves André.
Ele voltou a dizer que a superlotação é um problema crônico na cidade e que só deverá ser resolvido com a inauguração do Centro de Detenção Provisória. ''Enquanto não estiver pronto, temos que administrar os problemas no dia-a-dia'', ponderou. O novo presídio está sendo construído na Zona Sul e, segundo o Estado, deve ficar pronto até o final deste ano. Ele terá 960 vagas.

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