Presos em SP acusados de sequestro
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sábado, 30 de dezembro de 2006
Marcos Martins<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Dois acusados de integrar uma quadrilha que sequestrou uma mulher em Curitiba, no ano passado, foram presos anteontem em São Paulo. A ação foi coordenada pelo Grupo Tático de Grupos de Repressão Especial (Tigre), que atuou com a polícia paulista. O casal Genivaldo Lopes de Oliveira, 30 anos, e Tânia Ferreira Viana, 34, foi trazido para a capital juntamente com Regiane Maciel de Souza, 28. Ela foi presa no dia 25 com o marido, Alexandre Ferreira Viana, 30. Viana seria o mentor e é considerado pela polícia de São Paulo um dos maiores sequestradores da atualidade no Brasil. A quadrilha, em atividade desde 1996, era especializada em manter os reféns em cativeiro por vários meses, além de cobrar resgates acima de R$ 1 milhão. Ele ficou em São Paulo porque é suspeito de ser responsável por um sequestro que está em andamento na capital paulista.
O sequestro da jovem curitibana de 27 anos, filha de um empresário do ramo alimentício, ocorreu em novembro de 2005. Ela estava na rua quando três homens cercaram seu carro e a renderam. A mulher foi levada para Osasco (SP). Durante 50 dias, ela passou por outros quatro cativeiros, até ser libertada pela polícia em janeiro deste ano, sem pagamento de resgate. Na época, três homens foram presos.
De acordo com o delegado-chefe do Tigre, Riad Braga Farhat, a prisão dos outros envolvidos foi mais difícil porque trata-se de uma quadrilha com muito dinheiro. Estima-se que nos últimos dois anos ela teria recebido mais de R$ 1 milhão em resgates. ''Eles não são filiados a facções, como o PCC, porque estão num nível acima, tanto em inteligência como em infra-estrutura.'' Segundo ele, o dinheiro era investido em uma cooperativa de ônibus urbanos de São Paulo. Viana era proprietário de oito ônibus e tinha 12 funcionários. ''Ele lavava o dinheiro com essas linhas, que rendiam cerca de R$ 15 mil limpos, que eram usados na estrutura dos sequestros, como o aluguel de casas'', revelou.
O contato com as famílias das vítimas era feito por meio de telefones públicos de várias partes do Brasil. Antes de sequestrar a curitibana, a quarilha manteve uma criança de um ano e dez meses por 80 dias em um cativeiro de São Paulo. Ela foi libertada após pagamento de R$ 300 mil. Os acusados permanecem agora em Curitiba, onde vão responder processo por extorsão mediante sequestro. Viana também deve ser trazido para a capital nos próximos dias.


