Presos em Maringá reclamam da falta de assistência do MST
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 1998
Marcos Zanatta 
Marcos NegriniSem explicaçõesOs sem-terra Henrique e Adilvo querem sair da cadeia para voltar ao Sudoeste com suas famíliasOs seis sem-terra presos durante a desocupação da fazenda Água Amarela, anteontem em Jardim Olinda, disseram ontem na cadeia de Maringá que não sabiam o motivo da prisão. Eles reclamam que não fazem parte da direção do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e foram presos sem motivos. Não fizemos nada errado a não ser seguir as ordens passadas pelo pessoal do movimento, diz Adilvo Celeste da Silva, 48 anos, de Santo Antonio do Sudoeste, que estava desde julho na propriedade desocupada pela polícia.
Adilvo da Silva conta que um coordenador do MST na região de Paranacity, conhecido como Chicão, foi até a região Sudoeste e trouxe mais de 100 famílias. Silva calcula que pelo menos 70% das famílias tinham ido embora antes mesmo da desocupação de anteontem. A promessa era de assentar o pessoal em áreas consideradas improdutivas pelo Incra em pelo menos cinco meses, diz Silva. Os sem-terra alegam que nunca tiveram problemas com a polícia, são todos trabalhadores, e agora estão encrencados. E o pessoal do MST parece que não está fazendo nada pela gente, reclamou Henrique Sezibani, 60 anos.
Segundo Sezibani, apenas uma advogada do MST visitou os presos, levou material de higiene e prometeu acompanhar o problema. A gente se sente humilhado, sem saber como a família está lá fora e sem nenhuma informação se vamos ficar aqui muito tempo, lamenta. Ele conta que veio de Santa Isabel do Oeste há cerca de 40 dias, porque prometeram uma área entre sete e 12 alqueires para cada família. A gente não conseguiu nada e ainda está preso sem razão, afirma.
A advogada do MST, Teresa Cofré, que esteve na cadeia de Maringá em contato com os presos, disse ontem que os sem-terra são acusados de formação de quadrilha, desobediência a ordem judicial e esbulho possessório (invadir e causar danos a propriedade alheia). A polícia chegou no acampamento e foi prendendo quem bem entendia, sem critério algum, denuncia Teresa.
Ela admitiu que os advogados do MST estão com dificuldades para conseguir a liberação dos sem-terra presos. A juíza e o promotor de Paranacity são substitutos, e com o feriado prolongado a situação tende a se arrastar, disse.
Também estão presos em Maringá os sem-terra Vílson Krueger, 39, Vilmar Machado, 33, Valdomiro da Silva, 36, e Francisco Luís de Oliveira, 56.


