Se a superlotação nos distritos policiais já é perigosa para os presos saudáveis, para os doentes é pior ainda. Na hierarquia das carceragens, aqueles que têm problemas graves de saúde como portadores do bacilo da tuberculose e do vírus da Aids ou os que usam bolsas de colostomia são excluídos e sofrem a ameaça constante dos demais. Vivendo em condições sanitárias longe de serem as necessárias, os presos doentes precisam contar com a sorte de uma transferência rápida para uma unidade em melhores condições, onde possam se recuperar.
Em Londrina, segundo a Vara de Execuções Penais (VEP), a situação dos presos com problemas de saúde é cada vez mais preocupante. Eles estão no topo da lista para futuras transferências mas, por falta de vagas, muitos precisam aguardar nos distritos policiais superlotados. Nos DPs, conforme o juiz-corregedor da VEP, Roberto do Valle, além da doença, eles precisam lidar com a rejeição dos detentos, que não aceitam dividir a mesma cela com doentes. No momento, segundo ele, há dois presos diagnosticados com tuberculose no 2º e 4º DPs que esperam transferência para a Casa de Custódia de Londrina (CCL). A esperança do juiz é que a remoção ocorra nos próximos dias mas, para isso, ele precisa conseguir liberar vagas na unidade. ''Tento dar prioridade para esses casos mas não tem muito o que fazer enquanto a nova unidade (Centro de Detenção e Ressocialização) não ficar pronta.''
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, afirmou que os presos doentes são atendidos na rede pública de saúde, sempre que requisitam ou que algum delegado observa tal necessidade. Os que conseguem transferência para a CCL têm à disposição tratamento mais adequados. Mas lá também a capacidade de atendimento já beira o limite.
De acordo com o diretor, major Edison Marcos Tomaz, são atendidos 40 presos por dia na enfermaria. Um número que, segundo ele, só tem aumentado com o passar dos anos. Na CCL há 12 presos soropositivos, um em tratamento de tuberculose e outro aguarda o resultado de exames que confirmem ou não a doença e mais cinco usuários de bolsas de colostomia. ''Procuramos administrar essa situação de maneira que não facilite o contágio nem o conforto dos demais presos.'' Na CCL são cerca de 440 detentos.
Cidades como Ibiporã (14 km a leste de Londrina), onde havia suspeito de um surto de tuberculose, também se desdobram para contornar o problema. O delegado Marcos Belinati informou que a doença foi confirmada em quatro presos mas apenas um permanece encarcerado aguardando transferência. Ele disse que tenta melhorar a ventilação na carceragem mas não é tarefa fácil, uma vez que o local tem capacidade para abrigar 24 presos mas ontem somava 55.
A tuberculose entre os presos também foi notícia no primeiro semestre, quando a Cadeia Pública de Paranaguá foi interditada após um surto da doença que atingiu 20 presos e quatro funcionários. O delegado-chefe da 1 SDP, Valmir Soccio, garantiu que os presos foram tratados e não houve mais nenhum caso confirmado desde maio. Mas a falta de condições sanitárias ideais e a superlotação persistem: ontem havia 134 presos num lugar construído para 60. (Colaborou Guilherme Gouveia)

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