Marcelo AlmeidaEdenilson: hepatite BMoacir Freitas tem Aids e Edenilson Roberto Schneider, hepatite B. Os dois têm 32 anos de idade. A doença não impede que eles dividam uma cela do 3º Distrito Policial com outros seis detentos, alimentem-se apenas um vez ao dia ou durmam no chão, sobre um colchão improvisado com cobertores. Isso porque o espaço é tão pequeno que não dá para colocar colchões.
Moacir e Edenilson não são os únicos doentes entre os 82 presos nas 20 celas, que têm capacidade para abrigar somente 48 pessoas. Basta parar em frente à grade de entrada dos corredores que levam aos cubículos e perguntar quem está doente para que apareçam dezenas de dedos entre as grades.
Os problemas vão desde sarna, pela falta de higiene, aos respitarórios e de ouvido, pela umidade do local. Não há remédios e só recebe alguma ajuda quem pode contar com a família.
Mesmo com as dificuldades de infra-estrutura, os presos recebem visitas duas vezes por mês. Ver a família é um alívio para detentos, como Dilo Antenor Rodrigues, que não vê o sol há seis meses.
Na cadeia padecem ex-operários como Laumir Henrique Alves Pinheiro, 26 anos, um pedreiro preso por assaltar uma residência. Ele já foi condenado a 6 anos e oito meses de prisão, e apesar disso permanece na cadeia há dez meses.
O delegado Alcimar de Almeida Garrett se nega a qualificar a forma de vida levada pelos detentos. ‘‘Como eles dormem, não me pergunte’’, diz. ‘‘Não dá quase para respirar lá dentro.’’
Apesar de afirmar que não é dever da Polícia Civil manter presos, Garrett é obrigado a usar todos do plantão da delegacia na manutenção do xadrez.
Mas Curitiba não é a única cidade do Estado que enfrenta problemas com a superlotação de distritos.(James Alberti)

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