Presos doam alimentos para hospital
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Elisa Marilia<br> Da Sucursal 
Pela primeira vez o Hospital Erasto Gaertner recebeu doações de alimentos feitas pelos presidiários da Penitenciária Central do Estado, em Piraquara. Os presos ficaram sem almoço dois dias, ontem e na última segunda-feira, para permitir a arrecadação do material. O equivalente a essas refeições, 1.439 quilos de alimentos, chegaram ontem à cozinha do hospital, através de doação.
A renúncia dos almoços de 1.500 presos da Penitenciária Central vai se transformar em refeição capaz de atender todo o hospital durante dez dias. O Erasto Gaertner fornece 500 refeições por dia para pacientes e funcionários, além das 30 mães que acompanham seus filhos na pediatria. De todos os pacientes do hospital, 70% são do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em dois anos esta é a terceira vez que os presos fazem este tipo de doação. Nas outras duas vezes, as doações foram destinadas a ajudar os desabrigados das enchentes. O hospital, especializado em doentes de câncer, tem 180 leitos e 300 funcionários que almoçam no refeitório.
Para atender todas as necessidades de alimentos, o hospital conta com doações da comunidade e de empresas particulares. Mas nunca vêm em grande quantidade, às vezes recebemos dez litros de leite de um, cestas básicas de outro e assim por diante. As grandes doações são raras, disse a nutricionista do Erasto Gaertner, Sandra Silva. A entidade mantenedora do hospital é a Liga Paranaense de Combate ao Câncer, que atua no Estado há 50 anos.
Dos 1.500 presos da Penitenciária Central, 90% trabalham no próprio local. Eles se dividem entre as fábricas de bola, de calçados, de grampos de roupa, marcenaria, sacolas plásticas e urso de pelúcia. Um terço dos detentos estuda em uma das séries do 1º e 2º graus, com professores da rede estadual de ensino, montadas no presídio.


