Presos do 2º DP estão em condições precárias
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002
Érika Pelegrino Reportagem Local 
Oficiais de justiça da Vara de Execuções Penais (VEP) encontraram o 2º Distrito Policial (DP), na zona leste de Londrina, com a população carcerária controlada, mas sem guarda externa, que deveria ser feita pela Polícia Militar. Eles verificaram também as péssimas condições de higienização e alimentação.
A inspeção foi realizada ontem, durante o período da tarde, por cinco oficiais. O objetivo era verificar se a carceragem masculina estava com, no máximo, 36 homens, a feminina com, no máximo, 32 mulheres. Além disso, eles checaram se as duas celas externas estavam sendo utilizadas para seus fins específicos prisão de pessoas com curso superior e o não pagamento de pensão alimentícia.
A determinação foi feita pelo juiz da VEP, Roberto Ferreira do Valle, que na semana passada interditou parcialmente o distrito e exigiu a remoção de 35 detentos. A sentença foi dada em função da superlotação. Na semana passada o 2º DP estava com 161 homens e mulheres, quando a capacidade máxima é de 60 presos.
Segundo o oficial José Abrahão da Silva, a sentença foi cumprida quanto à quantidade de presos permitida, mas um relatório será preparado e entregue ao juiz mostrando as irregularidades. Entre os itens que ele classificou como péssimos, estão: a falta de colchão (os presos dormem no chão molhado), água dentro das celas, péssima alimentação Este marmitex não serve nem para animais, disse chuveiros danificados, roupas sendo lavadas dentro das celas, forte mau cheiro.
Outra irregularidade verificada durante a inspeção foi a falta de guarda externa. Nenhum policial militar estava no 2º DP para fazer a guarda. O delegado Roberto Hummig, que responde pelo distrito durante este mês, afirmou que a guarda está sendo feita e que em cada período manhã, tarde, noite um PM está no local. Ele afirmou não ter percebido que não tinha nenhum PM no local ontem durante a inspeção.
Segundo o juiz, se for confirmado que a guarda externa não foi feita conforme determinado em sua sentença ele encaminhará o caso para o Ministério Público para que sejam tomadas as providências por desobediência judicial. O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Rubens Guimarães, estava viajando ontem. Segundo um soldado apenas ele poderia dar entrevista.
Com o laudo dos oficiais que deve ser entregue na segunda-feira e o da 17ª Regional de Saúde que tem prazo até a próxima quarta-feira, para entregar o juiz irá exigir que sejam tomadas as providências para regularizar a situação. Caso isto não ocorra será determinada a interdição total do 2ºDP. Valle afirmou ainda que o 4ºDP também corre risco de interdição.


