Presos destróem celas e ferem dois
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segunda-feira, 03 de julho de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Presos do 4º Distrito Policial (DP) de Londrina destruíram celas e deixaram dois feridos durante uma rebelião que se estendeu por grande parte da tarde de ontem. A tropa de choque da Polícia Militar (PM) chegou pouco após o início do tumulto, mas levou mais de duas horas para intervir porque aguardava autorização do comando em Curitiba. A Polícia Civil diz que a demora foi responsável pelo aumento dos estragos.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Sérgio Luiz Barroso, afirmou que o motim foi provocado por uma fuga frustrada logo pela madrugada. A guarda externa do distrito descobriu um túnel cavado pelos presos da cela de número 1 e barrou os potenciais fugitivos. Eles já estavam debaixo da calçada externa do DP. Pela manhã, de acordo com o delegado, os presos exigiram receber os parentes - ontem era dia de visitas - antes de permitir a entrada da polícia para averiguar o estrago feito com o túnel. ''As mulheres entraram e foram embora por volta do meio-dia. Foi aí que começou a rebelião'', explicou.
Os detentos arrancaram barras de ferro das grades e fizeram barricadas nas celas. Dois presos de confiança que faziam a chamada ''correria'' - intermédio entre os detentos e os policiais para trazer e levar alimentos e objetos para dentro das celas - foram feridos pelos colegas. Um homem de 43 anos teve traumatismo craniano leve, além de costela e ombro quebrados. A outra vítima, de 19 anos, sofreu ferimentos leves. Os dois foram hospitalizados e estão fora de perigo.
Somente no final da tarde os presos aceitaram negociar com as autoridades. O tempo que os detentos permaneceram rebelados e o grande tumulto que se ouvia de fora do distrito indicavam que o estrago era grande. ''O grupo anti-motim chegou ao 12h15, mas esperou pelo superior da PM até às 14h07. Só então começaram a traçar a estratégia para conter a rebelião'', informou Barroso. Questionado se a demora aumentou a quantidade de destruição no interior da carceragem, ele respondeu ''com certeza''.
''Vamos enviar um relatório ao comando da PM e à Secretaria de Estado de Segurança Pública informando o ocorrido'', resumiu. ''Todo reforço nas grades que vimos fazendo nos últimos meses está sendo jogado fora por causa dessa demora em conter a rebelião'', indignou-se o delegado-adjunto da 10 SDP, Nelson Águila. Barroso estimou que só este ano foram gastos pelo menos R$ 25 mil apenas em reformas no 4º e 2º DPs, devido a rebeliões.
O chefe do Comando Policial do Interior (CPI), coronel Aramis Serpa, declarou que é uma determinação do governo do Estado esgotar as negociações com os presos antes de intervir, para evitar feridos. ''Não podemos chegar atirando. O estrago que pode ter ocorrido (com a demora do Choque em intervir diretamente) foi físico. Eles (os detentos) que quebrem tudo, é melhor do que um estrago à vida'', alegou.
Mulheres dos detentos criaram um tumulto paralelo do lado de fora do distrito. Uma grávida chegou a desmaiar. Elas reclamavam das restrições às visitas, que já haviam sido motivo de protestos no 2º DP, na semana passada. No final da tarde, as visitantes avançaram sobre a viatura do Siate que levava os feridos. Barroso negou qualquer relação entre as mudanças e a rebelião.


