Depois de quase 70 horas de tensão, no início da noite de ontem os detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, deram sinal de que estavam dispostos a encerrar a rebelião iniciada no domingo. Eles desistiram de fugir levando reféns, armas e veículos. Durante as negociações de ontem à tarde, eles aceitaram a contra-proposta da comissão de negociação para serem transferidos para presídios de outros Estados.
As conversações para o fim do motim continuavam ontem à noite e dependiam do cumprimento de algumas exigências, como o repasse de comida para os internos, o restabelecimento de água e luz na PCE, além da entrega de dois telefones celulares. Em troca, eles libertariam dois dos cinco agentes peinitenciários mantidos como reféns.
O secretário de Segurança Pública do Estado, José Tavares, disse que um avião do governo paranaense já estava de prontidão no Aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, para remover os primeiros cinco presos, que na tarde de terça-feira foram os primeiros a aceitar a transferência. Em reunião com os outros onze líderes, o grupo de detentos decidiu que só sai junto. Os Estados que aceitaram receber os presos são Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Para devolver a PCE às autoridades, os presos pediram a presença de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Igreja Católica, Ministério Público e Poder Judiciário.
Tavares propôs ainda a elaboração de um termo de compromisso, que garantia a integridade física dos internos, e que as exigências seriam atendidas. Nas duas rodadas de negociação feitas ontem à tarde, a que mais surtiu efeito aconteceu por volta das 17 horas. A comissão de negociação chamou o advogado Oscar Gonzales Seveliano, que defende três dos líderes: Manoel Francisco de Oliveira, Luiz Carlos Bernardes Pires e Paulo Fernandes Menezes. ‘‘Eles garantem a segurança e transporte de todos. A rendição (entrega) da cadeia pode ser feita comigo junto’’, transmitiu o advogado aos presos durante a negociação.
Para o secretário interino de Justiça do Estado, Carlos Maranhão, a mudança de postura dos líderes representou ‘‘um avanço muito grande’’. Maranhão e Tavares fizeram questão de esclarecer aos presos que a remoção poderia demorar um pouco, já que hoje é feriado nacional e uma definição só poderia ocorrer amanhã ou segunda-feira.
O advogado Dálio Zipin Filho, representante da OAB, informou, às 20h30, que os 16 líderes pretendiam entregar a cadeia ainda ontem. Havia uma proposta que estava sendo discutida para que o grupo ficasse aguardando a transferência no Centro de Observação e Triagem (COT), do Presídio do Ahú, em Curitiba. (Colaborou Giovani Ferreira)

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