Um dia depois da maior rebelião na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, a Secretaria de Segurança Pública não podia descartar a possibilidade de fuga de presos. Em duas contagens, feitas durante o dia de ontem, o Batalhão de Guarda –que está administrando o presídio por tempo indeterminado– contabilizou um número menor de detentos. Na primeira chamada, não foram achados 79 presos e, na segunda, o número subiu para 80.
Apesar desses números, o secretário de Segurança, José Tavares, minimizou o fato, alegando que o levantamento completo ainda não estava concluído. ‘‘Pedi para que tudo fosse feito com calma’’, disse. Ele acrescentou ser difícil a contagem, já que a chamada é nominal. Antes da rebelião existiam 1.371 presos.
Ontem, durante a operação pente-fino da Polícia Militar, foram encontrados dois túneis. Um deles acabava na Casa de Força, que fica fora do presídio. Outro, ainda não concluído, cruza um muro lateral. No dia da rendição, os policiais informaram a existência de mais uma terceira passagem. De acordo com o secretário, na primeira revista, muitos presos tinham se escondido. Um deles estava dentro da caixa d‘água.
Quanto aos prejuízos, Tavares afirmou que o estrago foi mínimo, com a destruição parcial de uma cozinha interna e a farmácia da penintenciária. Sobre os assassinatos, foi designado o delegado Agenor Salgado Filho, da Homicídios, para apurar a responsabilidade. O delegado José Carlos Cruz, da Estelionato e Desvio de Cargas, pretende descobrir como as armas, granadas e celulares entraram na PCE. O secretário não descarta o envolvimento de agentes penitenciários. O Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário credita este contrabando ao trânsito de caminhões de alimentos.
Sobre o controle nas cadeias, Tavares não soube explicar como vai se prevenir futuras revoltas. Ele promete isolar os possíveis chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O preso Jeferson Lichentiener, o ‘‘Carioca’’, teria assumido a organização criminosa após a saída do José Felício, o ‘‘Geléia’’.

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