Presos depõem sobre suposta tortura
Dois dos presos que participaram da rebelião na Penitênciária Estadual de Londrina (PEL) prestaram depoimentos, ontem à tarde, ao delegado Algacir Ramos, sobre a suposta tortura a que estariam sendo submetidos no isolamento. Os depoimentos foram acompanhados por Jorge Custódio e Gelson Gil, representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH). Pela manhã, os dois foram submetidos a novo exame de corpo delito no Instituto Médico-Legal.
Edivaldo Muchini dos Santos, 29 anos condenado a 14 anos por furto, roubo e tráfico , contou que durante a rebelião levou um tiro de bala de festim nas costas e foi encaminhado para a enfermaria da PEL. Após receber pontos no ferimento, fui levado para a cela de isolamento e espancado durante todo o caminho porfuncionários do Sr. Gilson (agente penitenciário), acusou. Segundo ele, três dias após o exame de corpo delito, foi novamente espancado. Eles me bateram com bastões e cacetetes. Depois, enrolaram uma coberta na minha cabeça e me obrigaram a colocá-la dentro do vaso sanitário, afirmou. Santos acusou quatro agentes penitenciários identificados apenas como Ramos, Cláudio (conhecido como Sebinho), Soares e Adalto de participarem da ação.
Devanil Nunes da Silva, 32 anos condenado a 14 anos por homicídio , disse que, no dia da rebelião, não sofreu nenhum ferimento, mas que três dias depois foi espancado com pauladas. Segundo ele, outros presos também estão sendo espancados.
Algacir Ramos disse que pretende ouvir todos os 20 detentos que estão em isolamento, antes de marcar os depoimentos dos agentes acusados. Como entra hoje em férias, um novo delegado deve assumir o caso. Se houver comprovação das denúncias, os agentes podem responder por crime de tortura, considerado crime hediondo, explicou Ramos. Os nomes completos dos agentes penitenciários envolvidos não foram divulgados pela direção da PEL.





