Presos de Maringá tiram dúvidas sobre a doença
Marta Medeiros
De Maringá
Detentos da Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) aproveitaram a tarde de ontem para tirar dúvidas sobre a Aids durante debate com profissionais de saúde e da área jurídica. Além de conscientizar sobre os riscos da doença, o evento teve o objetivo de incentivar os presos a fazer exame de Aids. O atendimento desenvolvido pelo Centro de Testagem Anônima HIV/Aids e pelo Ambulatório de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids) do Centro Regional de Saúde de Maringá, também foi apresentado aos presos.
Segundo o diretor da PEM, Antonio Tadeu Rodrigues, não há obrigatoriedade no exame, mas como o sistema carcerário é considerado de alto risco, o incentivo pode evitar possíveis casos de contágio entre os presos. A PEM abriga atualmente 359 detentos, quatro têm o vírus e um já desenvolveu a doença. Há um mês um preso morreu vítima de Aids.
Expectativa da Comissão de Prevenção DST/Aids da PEM, criada há três anos, é de que pelo menos 40% dos presos optem por realizar o exame.
Exemplo de como a Aids implica em mudanças de conceitos sobre a vida é do detento Alberto Mauro Sabino, 47 anos, que há seis meses descobriu que está com a doença. A companheira dele, presa em uma cela da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, também está com a doença. Os três filhos do casal, de 5, 6 e 7 anos, estão sob a guarda do Conselho Tutelar.
Sabino afirma que não tem esperança nenhuma de vida, mas espera sair da prisão apenas para construir uma casa em um terreno que tem no interior de São Paulo como herança para os filhos. Peço a Deus todos os dias para me tirar daqui. Sabino disse que não sabe como adquiriu a doença e que sempre ouvia falar de Aids, mas nunca soube exatamente do que se tratava.
Conforme a 15ª Regional de Saúde, existem 387 casos da doença registrados entre adultos e 19 em crianças, em Maringá e municípios da região de abrangência.





