Giovani Ferreira
De Curitiba
Os internos do Complexo Médico Penal do Paraná, mais conhecido como manicômio judiciário, tiveram ontem uma festa de Natal com apresentação de coral, peça de teatro e exposição de artes plásticas. Todos os trabalhos foram produzidos, encenados e interpretados por detentos com problemas mentais que cumprem pena no sistema carcerário do Estado. A programação envolveu aproximadamente 50 presos, de um universo de 345 detentos que hoje cumprem pena ou estão internados para tratamento no complexo, em Piraquara.
Na avaliação do diretor-geral da instituição, Kenedi Silva, muito mais do que comemorar o Natal, essas iniciativas representam um progresso na recuperação dos internos. As atividades coletivas e o ambiente social, avaliou Silva, garantem harmônia e estímulo no tratamento dos doentes mentais. Um dos resultados positivos alcançados com atividades do gênero é a redução na utilização de remédios. De acordo com o diretor, essa conquista beneficia o paciente e o Estado, que diminui o seu gasto com medicamentos.
Uma das constatações dos profissionais de saúde, é uma sensível retomada da fala e a melhora da comunicação de alguns presos. Essa conquista é vista por alguns professores como reflexo do convívio em grupo, onde os detentos se relacionam participam de uma produção coletiva.
Celso Ribeiro da Rocha, 30 anos, confirma os resultados sociais conseguidos através dessas atividades. Preso há 3 anos, dos quais oito meses no manicômio, Celso garante que toda a movimentação para eventos festivos desperta muita alegria e um espírito de solidariedade entre os detentos. Essa felicidade, segundo Celso, se traduz em uma recuperação mais rápida e eficaz.
Os corredores e o anfiteatro do manicômio estão enfeitados com diversos quadros e trabalhos produzidos em argila e cerâmica. Além das diversas telas que foram pintadas ao longo do ano, os presos construíram e coloriram um presépio retratando os personagens e as passagens da história do nascimento de Jesus.
Localizado no município de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, o Complexo Médico Penal é o único do País. Kenedi Silva explicou que em outros estados existe apenas o manicômio judiciário, enquanto que o complexo do Paraná dispõe de uma ampla estrutura médica e social, com alas e tratamentos específicos para homens e mulheres.Detentos encenam peça de teatro e abrem feira de artesanato. Trabalho está servindo para reduzir uso de medicamentos
José SuassunaTERAPIAInternos interpretam um auto natalino, dentro da política interna da instituição que busca reduzir o uso de remédios. Além da peça, os detentos fizeram artesanato e criaram um coralRECUPERAÇÃOCelso Ribeiro da Rocha, preso há oito meses no manicômio, considera que está melhorando. Rocha faz parte de um grupo de 50 pessoas que participa de atividades artísticas

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