Apucarana Os 153 detentos do minipresídio de Apucarana se recusam a fazer as refeições entregues pelos carcereiros. Eles se dizem em greve de fome desde terça-feira, quando os líderes do motim impediram que os demais presos recebessem a comida. Ontem, eles voltaram a recusar os marmitex do almoço e prometiam também ficar sem jantar. O cardápio de ontem era composto por arroz, feijão, carne com batata, verdura e uma banana de sobremesa. ''É melhor do que a refeição de muitos trabalhadores'', ironizou o delegado-chefe da 17 Subdivisão Policial (SDP), Acácio de Azevedo.
''Na verdade, não há greve porque eles guardaram os alimentos trazidos pelos familiares durante a visita. Fome eles não estão passando'', afirmou. Ele informou que as ''quentinhas'' estão sendo entregues a instituições de caridade.
O motim começou na noite de segunda-feira. Os rebelados bateram com vários objetos nas grades e fizeram muito barulho. Na sequência, atearam fogo em forros de colchão, papel e papelão. Na tarde de terça-feira, durante uma revista da Tropa de Choque da Polícia Militar (PM), um carcereiro foi atingido com água esquentada em um panela. À noite, nova revolta, com mais ''bate-grade''. Ontem, à tarde, outra revista, cela a cela. Foram apreendidos estoques (faca rústica) e talheres que estavam sendo raspados. ''Neste momento, o presídio está uma calmaria'', disse o delegado, por volta das 18 horas de ontem.
A situação não voltou ao normal nem mesmo com a remoção de quatro dos 157 presos pela manhã, o que acabou reduzindo muito pouco a superlotação. Os presos se recusam a conversar com a direção da unidade e com outros policiais. Querem como interlocutores representantes do Ministério Público e o juiz criminal da Comarca. ''Não vamos ceder enquanto eles não se acalmarem. Por enquanto, está sendo feito um levantamento pela comarca, de caso a caso, no sentido de reduzir o número de detento'', afirmou o delegado. Outro aspecto preocupante é que os líderes não permitem que os presos responsáveis pelo serviço façam a limpeza. ''Acredito que o motim acabará quando eles realmente estiverem com fome'', apostou o delegado-chefe.

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